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Fed aponta para inflação mais elevada. Implicações do Médio Oriente são “incertas”

Nas projeções que acompanham a decisão de política monetária, o banco central aponta que a inflação será 0,3 pontos percentuais mais elevada este ano do que nas estimativas de dezembro. Meta de 2% só será atingida em 2028.

Jerome Powell, presidente da Fed.
Jerome Powell, presidente da Fed. Manuel Balce Ceneta / AP
18:47

Na divulgação de projeções que acompanha a decisão de política monetária desta quarta-feira, a Reserva Federal (Fed) aponta uma inflação mais elevada do que nas previsões anteriores, divulgadas em dezembro. Em comunicado, o banco central alerta que “a incerteza em torno do outlook económico se mantém elevada” e que “as implicações dos desenvolvimentos no Médio Oriente para a economia são incertas”, prometendo manter-se “atento aos riscos para ambos os lados do seu mandato duplo”: o pleno emprego e a inflação em torno de 2%.          

Neste capítulo, os responsáveis reviram em alta a inflação medida pelo índice de preços de despesas no consumo pessoal (PCE), conhecido como o indicador preferido da Fed para os preços. Se em dezembro previam uma subida de 2,4%, agora antecipam que a inflação vai situar-se nos 2,7%. Já o indicador subjacente, que exclui as categorias voláteis dos alimentos e energia, deve atingir os mesmos 2,7%, quando antes a previsão apontava para 2,5%.

No próximo ano, ambos os componentes devem abrandar para 2,2% (uma décima acima da projeção anterior), atingindo o objetivo da Fed apenas dentro de dois anos, projeção esta que se manteve inalterada. Na conferência de imprensa que se seguiu à reunião, o presidente da Fed, Jerome Powell, reconheceu que a subida dos preços da energia devido à guerra contra o Irão vai impulsionar a inflação no curto prazo.   

Apesar da incerteza no Médio Oriente, e também das tarifas comerciais, chumbadas pelo Supremo Tribunal, mas que a Administração Trump insiste em manter, a Fed reviu em alta as projeções de crescimento para este ano. A economia norte-americana deve expandir-se 2,4% em 2026, contra 2,3% apontados em dezembro. O crescimento deve abrandar ligeiramente para 2,3% em 2027 e para 2,1% em 2028, uma projeção ainda assim revista em alta face a dezembro (2,0% e 1,9%, respetivamente).

Já quanto ao desemprego, a Fed não alterou as projeções para este ano, mantendo a previsão de uma taxa de 4,4% para este ano, nível que deverá descer para 4,3% em 2027 e 4,2% em 2028. A única alteração nestas projeções foi o agravamento de uma décima no próximo ano, indica a tabela de previsões.   

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