Política Monetária Stanley Fisher: "Se Trump for reeleito os EUA serão um país do terceiro mundo"

Stanley Fisher: "Se Trump for reeleito os EUA serão um país do terceiro mundo"

O ex-vice-presidente da Reserva Federal norte-americana criticou as palavras de Donald Trump de ataque à política monetária da Fed.
Stanley Fisher: "Se Trump for reeleito os EUA serão um país do terceiro mundo"
BCE
Tiago Varzim 18 de junho de 2019 às 16:00
"Se ele [Donald Trump] for reeleito, os Estados Unidos vão tornar-se num país do terceiro mundo, tendo em conta como o Governo federal está a ser gerido". O alerta é de Stanley Fisher, ex-vice-presidente da Reserva Federal (até 2017), que mostrou a sua preocupação com a relação entre a atual Casa Branca e a Fed num discurso no 6.º Fórum BCE, em Sintra, esta terça-feira, 18 de junho. 

Num discurso muito crítico dos ataques do presidente norte-americano à condução da política monetária, o ex-vice-presidente da Fed considerou que a probabilidade de os EUA se tornarem numa democracia enfraquecida "é plausível" caso Trump volte a ser eleito em 2020. 

Não só com Jerome Powell, atual presidente da Fed, como também com Janet Yellen, a ex-presidente da Fed, Donald Trump tem feito críticas explícitas ao nível dos juros diretores nos EUA, alegando que este era alto e tinha de descer. 

Para Fisher, caso a Reserva Federal baixasse os juros a pedido do presidente, tal "destruiria a sua independência". "Não o deve fazer", alertou, referindo que a "Reserva Federal não deve estar sujeita às ordens do presidente dos Estados Unidos". 

"A Fed é um banco central independente que tem a lei do seu lado", recordou, referindo que Jerome Powell "sabe que tem a lei" do seu lado, ou seja, que o Governo não está autorizado a dar instruções sobre a política monetária. Recentemente, Powell abriu a porta a uma descida dos juros, mas apenas se for necessário.

Ainda assim, o ex-vice-presidente da Reserva Federal concedeu que a inflação tem estado abaixo do objetivo, em trajetória descendente e que as expectativas do mercado é de que não chegará à meta dos 2% a médio prazo. Além disso, notou que os números do emprego estão "particularmente baixos" face à média. 

Stanley Fisher argumentou que a "economia norte-americana está com um bom dinamismo", ainda que tal não seja a imagem traçada pelas palavras de Trump.



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