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Carneiro opõe-se à perda de direitos laborais

Nas cerimónias do 25 de abril, o secretário-geral do PS reiterou a oposição à "revisão dos direitos constitucionais dos trabalhadores".

José Luís Carneiro nas comemorações do 25 de abril no parlamento em 2026,
José Luís Carneiro nas comemorações do 25 de abril no parlamento em 2026, Miguel Baltazar
25 de Abril de 2026 às 11:31

O secretário-geral do PS defendeu nas cerimónias do 25 de abril que "a liberdade sem uma vida decente é incompleta", reiterando a oposição à "revisão dos direitos constitucionais dos trabalhadores", e considerou que o sistema judicial precisa de reforma.

"O progresso económico só tem sentido quando serve as pessoas. A liberdade sem uma vida decente é incompleta. Abril continua atual nos desafios de hoje: na habitação, na saúde, na educação, no acesso à cultura e ao conhecimento, na economia e nos rendimentos", defendeu José Luís Carneiro na sessão solene comemorativa dos 52 anos do 25 de Abril, que decorre no parlamento.

Para o líder do PS, é preciso estimular o crescimento económico, "mas tal não justifica a revisão dos direitos constitucionais dos trabalhadores".

"Só podem contar com a nossa oposição as políticas em curso nesse sentido porque nós somos a alternativa credível e de confiança para servir Portugal", reiterou, numa altura em que se mantém o impasse sobre o pacote laboral.

Considerando que a arquitetura constitucional "tem proporcionado décadas de estabilidade institucional", Carneiro defendeu que o sistema judicial é "um pilar que carece de obras de conservação e de reforma" para "travar a crescente erosão da confiança pública no seu funcionamento".

Carneiro afirmou que apesar do orgulho do partido em ter "contribuído para o maior salto de qualificação dos portugueses" na sequência do 25 de Abril, "há desigualdades que persistem e outras que se agravam, um crescimento económico débil e dificuldades às quais é necessário responder".

"O custo de vida em geral e da habitação em particular. A instabilidade e a insegurança nas respostas da saúde. O que mostra que a justiça social é uma conquista de todos os dias e não um legado cristalizado", apontou.

Para o líder do PS, "durante a ditadura, o país teimosamente persistia na guerra colonial", com os jovens a receber "guia de marcha para combater numa guerra perdida e sem sentido" porque a "solução tinha de ser política e nunca militar".

Segundo Carneiro, "a teimosia colonialista" levou Portugal "para 13 anos de guerra" e foi "responsável por milhares de mortos e feridos", com "sequelas que ainda hoje perduram na vida de tantas famílias".

"Nunca devemos esquecer: sempre que damos uma mão à guerra e nos tornamos cúmplices dela, também seremos parte das suas vítimas", considerou.

O líder do PS deixou ainda uma palavra para a diáspora, "um dos ativos mais preciosos de Portugal" que "exige certamente outra prioridade política".

"A nossa política externa tem de dar outra prioridade a este projeto coletivo, que tem de ser um dos motores na defesa e projeção da língua, da cultura e das relações de cooperação técnica e económica com a África, a América e a Ásia", defendeu, referindo-se às relações com os países de língua portuguesa.

No seu primeiro 25 de Abril como secretário-geral do PS, Carneiro terminou a sua intervenção avisando que "a liberdade não se oferece, a liberdade conquista-se".

"A democracia não é um prémio. Como disse Mário Soares, 'ela não tem pais porque somos -- todos nós -- que a fazemos todos os dias'", avisou, um discurso que tinha começado com uma citação de Manuel Alegre: "Foram dias, foram anos a esperar por um só dia".

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