Política China explica aos americanos como a guerra de Trump os prejudica: "Olá, eu sou um grão de soja"

China explica aos americanos como a guerra de Trump os prejudica: "Olá, eu sou um grão de soja"

"Hi, I’m a soybean". É com uma curta animação, protagonizada por um grão de soja, que a China está a tentar chamar a atenção dos agricultores norte-americanos para as consequências da guerra comercial entre Washington e Pequim.
China explica aos americanos como a guerra de Trump os prejudica: "Olá, eu sou um grão de soja"
Bloomberg
Carla Pedro 22 de julho de 2018 às 19:49

"Olá a todos. Eu sou um grão de soja. Posso não parecer grande coisa, mas sou muito importante". É assim que arranca uma curta animação de 2:36 minutos feita pelos chineses para mostrar aos agricultores norte-americanos que uma guerra comercial entre Washington e Pequim também os penaliza fortemente.

 

"Claro que todos sabem que sou o ingrediente-chave do tofu e do molho de soja. Mas eu e a minha família também podemos ser transformados em óleo de soja, que tempera as vossas comidas favoritas, como bolos, bolachas e pão", prossegue o vídeo.

 

E continua: "os seres humanos não são os únicos que nos comem, uma vez que somos uma fonte de alimento essencial para os animais de quinta, como as galinhas, os porcos e os bovinos, e para os peixes".

 

"Mas não estou aqui para vos dar uma lição sobre aquilo que sou. Ultimamente, tenho sido motivo de muitas notícias, porque fui apanhado no meio de uma guerra comercial que envolve dois poderosos países, a China e os Estados Unidos".

 

O vídeo em inglês, com legendagem em chinês, prossegue, numa tentativa descomplicada de mostrar aos americanos o quanto as tarifas sobre a soja os podem prejudicar.

 

É que, neste "dá e leva" da guerra comercial entre as duas potências, muitos bens norte-americanos ficam também numa posição desfavorável, como é o caso da soja – maior produto de exportação dos Estados Unidos para a China, no valor de 12 mil milhões de dólares no ano passado –, que foi alvo das tarifas chinesas.

 

Com efeito, depois de os Estados Unidos terem divulgado um rol inicial de 1.300 produtos chineses que seriam penalizados à passagem na fronteira, a China retaliou quase de imediato com uma lista de 106 bens dos Estados Unidos sobre os quais será imposta uma taxa adicional de 25%, incluindo soja, aviões, automóveis, carne de bovino, uísque e produtos químicos.

 

O facto de a soja estar na lista levou muitos analistas a considerarem que os EUA iriam recuar nalgumas frentes nesta batalha com a China – mas, até ao momento, isso não aconteceu, tendo a disputa comercial chegado mesmo a escalar, com Trump a ameaçar impor tarifas sobre o equivalente a 500 mil milhões de dólares em produtos chineses importados – ou seja, praticamente tudo o que entra "Made in China" nos EUA.

 

Mas Pequim não se dá por vencida e esta focalização nos agricultores norte-americanos poderá vir a render-lhe frutos.

 

"A América exporta grande parte das suas colheitas de soja. A maioria das exportações de soja norte-americana – 62% - segue para a China. Mas a soja mais cara [à conta das tarifas à importação impostas por Pequim como retaliação pela lista de produtos chineses sujeitos a encargos aduaneiros mais elevados à entrada nos EUA] pode significar que a China irá procurar outras fontes para o grosso das suas importações", adverte a mesma animação, a que o canal CGTN dá o nome de "monólogo de um grão de soja".

 

Se isso acontecer, explica ainda o grão de soja, os produtores norte-americanos de soja poderão ser fortemente atingidos. É que, sublinha, "os preços da soja nos EUA já caíram 18% entre Maio e inícios de Julho, devido aos receios de uma guerra comercial".

 

Ao optar por um narrador invulgar neste seu vídeo, Pequim mostra que vê a soja como uma poderosa ferramenta no braço-de-ferro com o seu maior parceiro comercial, refere a Reuters, salientando que este cartoon animado é em parte educacional mas visa sobretudo passar uma mensagem política.

 

A ameaça que pende sobre as exportações da soja norte-americana é, de facto, uma poderosa arma para Pequim, dado o potencial impacto no Iowa e noutros Estados que apoiaram Donald Trump nas eleições presidenciais de 2016.




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