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Cristas lembra-se "vagamente" de Passos dizer que BES "poderia ser um problema"

Em entrevista ao Público, a líder do CDS recorda que "o Conselho de Ministros nunca foi envolvido nas questões da banca", desconfia da concentração em mãos estrangeiras e volta a defender Núncio no caso das offshores.

Há vida para além de Portas: A saída de Paulo Portas abriu uma frente de batalha no CDS. Mas as trincheiras ficaram, desde cedo, definidas: de um lado posicionou-se o eurodeputado Nuno Melo, muito popular entre as bases; do outro, Assunção Cristas, que era a preferida fora do partido. Nuno Melo acabaria por recuar e Assunção Cristas teve caminho aberto para se tornar a primeira mulher líder do CDS. É candidata à Câmara de Lisboa.
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António Larguesa alarguesa@negocios.pt 13 de Março de 2017 às 09:28
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Assunção Cristas garante que "nunca os temas da banca foram discutidos em profundidade em Conselho de Ministros" durante a última legislatura. Nem o caso Banif, nem a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos nem o escândalo no BES, embora se lembre "vagamente" de Passos ter referido numa reunião que "o BES poderia ser um problema" e que, por isso, o dinheiro da troika para a banca não deveria ser injectado na economia, como defendia o então líder do PS, António José Seguro.

 

Em entrevista ao jornal Público, a presidente do CDS-PP e antiga ministra da Agricultura insistiu que "o Conselho de Ministros nunca foi envolvido nas questões da banca" e que a visão do anterior primeiro-ministro era de que "a banca e o pilar financeiro do resgate eram tratados pelo Banco de Portugal, que tinha as funções de supervisor independente, e o Governo não deveria meter-se nessas questões".

 

Recordando que estava de férias quando a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, lhe ligou para assinar com urgência o decreto-lei para permitir a resolução do BES, detalhou que essa foi uma decisão do Banco de Portugal e que os "cenários possíveis" não foram sequer discutidos no Conselho de Ministros. "É aí que critico um bocadinho esta coisa de não termos nada que ver, o Conselho de Ministros não tem nada que ver, mas no fim da história é ele que tem de aprovar o decreto-lei", resumiu.

 

Questionada sobre o facto de vários bancos portugueses estarem a passar para mãos estrangeiras, Assunção Cristas respondeu que "em muitos casos pode trazer consequências para o financiamento" da economia. Por um lado, as empresas nacionais "[passam] a fazer parte de um bolo mais alargado e a competir com outras empresas, nomeadamente em Espanha" na captação de empréstimos. Por outro, com a redução do número de bancos, as empresas podem ter "mais dificuldade em (…) conseguirem ter propostas competitivas e alternativas para o seu financiamento".

 

Ataque a Costa e defesa de Núncio

 

Numa outra parte da entrevista, a líder do CDS-PP apontou que o actual Executivo conseguiu reduzir o défice em 2016 ao "cortar a torneira aos Ministérios" e que isso teve reflexos no investimento público, que "caiu brutalmente para números nunca antes vistos". E criticou o facto dos partidos que suportam o Governo, sobretudo o PCP e o Bloco de Esquerda, "nem [dizerem] uma palavra sobre essa matéria". Além disso, prosseguiu, "o Governo que nos criticava tanto por estarmos centrados no défice, hoje também centra todo o seu discurso no défice".

 

Depois de ter dito, no início da polémica relativa às transferências para offshores, que o país deve muito a Paulo Núncio, Cristas reforçou agora que "não [gosta] de ser injusta e de ir atrás da corrente e do sabor dos tempos". Apontou que o ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais "fez um trabalho que tem de ser reconhecido", reconheceu que ele "muitas vezes terá errado" e "muitas vezes preferiria ter feito de outra maneira e não teve condições".

 

Confrontada com o ziguezaguear de explicações por parte do ex-dirigente do seu partido, a sucessora de Paulo Portas sustentou que Núncio "fez uma declaração quando percebeu que tinha errado" e falou num "problema da memória que trai as pessoas". "As pessoas falam sem, às vezes, irem ver todos os detalhes e quando vão vê-los percebem que se enganaram. Paulo Núncio, apesar de tudo, assumiu que não tinha sido assim, retirou além do mais consequências políticas disso, o que também não é muito vulgar na nossa cena política", concluiu Cristas.

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