Faz 30 anos que Soares ganhou eleições presidenciais à segunda volta
As únicas eleições presidenciais que tiveram segunda volta aconteceram em 1986. Faz esta terça-feira, 16 de Fevereiro, 30 anos que Mário Soares as venceu.
A 16 de Fevereiro de 1986 os portugueses eram chamados a votar na segunda volta das eleições presidenciais, tendo de escolher entre Freitas do Amaral, pela direita, e Mário Soares, pela esquerda.
Foram as terceiras eleições presidenciais desde o 25 de Abril e mantêm-se na história da democracia portuguesa como tendo sido as mais disputadas de sempre, apenas resolvidas na segunda volta, a 16 de Fevereiro de 1986, depois de uma primeira volta, a 26 de Janeiro, em que nenhum candidato conseguiu maioria absoluta.
À direita, o candidato foi Diogo Freitas do Amaral, apoiado pelo CDS e pelo PSD. À esquerda, multiplicaram-se os candidatos. Soares era apoiado pelo PS, mas no boletim de voto constavam também os nomes de Maria de Lurdes Pintasilgo (ex-primeira-ministra) e de Salgado Zenha, o candidato do ainda Presidente Ramalho Eanes e do recém-criado PRD. O candidato do PCP, Ângelo Veloso, viria entretanto a desistir.
As primeiras sondagens presidenciais atribuíam a Soares uns escassos 8% de intenções de voto. Fazia sentido, até porque o PS vinha da sua maior derrota de sempre em eleições legislativas, em Outubro de 1985, as mesmas em que Cavaco Silva arrematara a sua primeira vitória eleitoral, confirmada em 1987 com maioria absoluta. Enquanto primeiro-ministro, Soares incompatibilizara-se com o então Presidente, Ramalho Eanes, e acabaria por sair na sequência de uma dissolução do Parlamento que assinalara o fim do Governo do Bloco Central, que liderava.
Na primeira volta Freitas do Amaral consegue 46,3% dos votos e Soares apenas 25,4%. Freitas não consegue ultrapassar os 50%, o que lhe asseguraria e vitória à primeira volta, e vai novamente a votos, desta vez contra Soares. Salgado Zenha, antigo braço-direito de Soares e candidato eanista, arrecadara 20,9%. Maria de Lurdes Pintasilgo, que concorria como independente que partia como a candidata mais bem colocada nas sondagens, acabaria por ficar em último, com apenas 7,4% dos votos.
Na segunda volta, a esquerda juntou-se em torno de Soares, que vence Freitas do Amaral por uma margem de dois pontos percentuais, uns escassos 140 mil votos. O Sul do País foi fundamental para a vitória, bem como alguns dos maiores distritos, como Setúbal e Lisboa.
Soares tomou posse a 9 de Março de 1986. No discurso que então fez, e para acabar com as divisões eleitorais, recuperou a frase de Eanes e garantiu que seria "o Presidente de todos os Portugueses". Uma fórmula que acabaria por entrar definitivamente para o discurso político nacional.