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Musk deixa de aconselhar Trump e Macron quer tornar o planeta grande outra vez

O CEO da Tesla, Elon Musk, anunciou que deixará de ser conselheiro de Donald Trump, cumprindo assim o que tinha dito que faria se o presidente dos EUA decidisse abandonar o Acordo de Paris sobre o Clima.

Trumplandia: o país (des)encantado - Em 2017 nascerá um movimento na Califórnia de oposição a Donald Trump e, em 2020, nomes como Elon Musk e Sheryl Sandberg poderão liderar uma aliança contra a administração. A tensão entre ambas as partes trará desafios às acções da Google, do Facebook e da Apple.
Reuters
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 01 de Junho de 2017 às 22:30
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São muitas as reacções, por todo o mundo, à decisão de Donald Trump de se desvincular do Acordo do Clima, do qual foi signatário em Dezembro de 2015. Nos actuais moldes, disse o presidente dos EUA, não será ratificado.

Trump afirmou que procurará iniciar negociações com vista a um "acordo justo", mas a sua decisão não foi bem acolhida por muitos e as reacções não se fizeram esperar.

O seu antecessor na Casa Branca foi um dos primeiros a manifestar o seu desagrado perante esta decisão. Segundo Barack Obama, com esta decisão Trump está a "rejeitar o futuro".

 



Elon Musk também se pronunciou quase de imediato, anunciando que deixará de ser conselheiro de Trump. O presidente executivo da fabricante norte-americana de veículos eléctricos Tesla e da SpaceX tinha ameaçado retirar-se do conselho presidencial se os EUA abandonassem o acordo de redução de emissões poluentes e cumpriu assim o prometido.


Muitos outros CEO e gestores de topo nas administrações de grandes empresas estão também a reagir a esta notícia, como é o caso do presidente executivo da General Electric. Segundo Jeff Immelt, a decisão anunciada por Trump deixou-o "desapontado". "As mudanças climáticas são uma realidade", defendeu.

 


Trump, recorde-se, tem dito  que, no seu entender, o aquecimento global é uma farsa.

Marc Benioff, CEO da Salesforce, também se manifestou "profundamente desiludido" com a decisão de Trump e anunciou que a sua empresa irá redobrar os esforços no sentido de combater as alterações climáticas.


Brad Smith, presidente da Microsoft, foi outra das vozes que se destacaram, ao dizer que a tecnológica está decepcionada. Tal como fez a Salesforce, Smith reiterou que a Microsoft continuará empenhada em fazer a sua parte para que as metas do Acordo de Paris sejam atingidas.



Nos últimos meses, conforme recorda o The Wall Street Journal, foram muitas as empresas que pediram à Administração Trump que se mantivesse empenhada no Acordo de Paris, como foi o caso, da Apple, Starbucks, Gap, Nike, Google, Adidas, L’Oreal e Monsanto.

 

Até mesmo companhias petrolíferas como a ExxonMobil e a Chevron apoiaram o acordo de combate às alterações climáticas, salienta a mesma fonte.

 

O CEO da Exxon, Darren Woods, chegou mesmo a escrever uma carta pessoal a Donald Trump, em inícios de Maio, pedindo-lhe para não sair do Acordo de Paris. Uma posição que contrasta com o anterior presidente executivo da petrolífera, Rex Tillerson – actual secretário de Estado do presidente republicano.


Tornar o planeta grande outra vez

Outros líderes a nível global, nomeadamente no domínio político, já vieram a público manifestar igualmente a sua decepção perante o anúncio de Washington. 

 

O recém-eleito presidente francês, Emmanuel Macron, pegou no lema de Trump durante a campanha para as presidenciais [Tornar a América grande outra vez] para responder com um "Tornar o nosso planeta grande outra vez".

 

Também a chanceler alemã, Angela Merkel, se pronunciou, dizendo "lamentar" a decisão anunciada por Washington.

Por seu turno, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, considerou "profundamente errada" esta decisão de Trump.


Por cá, as reacções também não se fizeram esperar. Citado pela Lusa, o presidente da República declarou que as alterações climáticas são uma evidência que "se vai impor", mesmo que haja alguém que "se considere importantíssimo no mundo que negue isso".

 

"Era preferível que não tivesse existido" esta posição dos Estados Unidos, mas "a realidade se encarregará de mostrar quem, num determinado momento, não percebeu a força dessa realidade", acrescentou Marcelo Tebelo de Sousa.

 

Por seu lado, o ministro do Ambiente considerou "uma decisão grave" a saída dos Estados Unidos deste acordo, sublinhando à Lusa que o aquecimento global "é uma questão que nenhum país pode resolver sozinho". "Não existe espaço no mundo, mesmo numa economia de grande dimensão como a americana, para imaginar que essa mesma economia pode crescer baseada no carvão", afirmou João Matos Fernandes.

Recorde-se que o Acordo de Paris visa conter o aumento da temperatura abaixo dos 2 graus Celsius face aos níveis pré-industriais, com o compromisso de limitar a subida da temperatura aos 1,5 graus Celsius.

No âmbito deste acordo climático – que foi assinado por 195 países e entrou em vigor a 4 de Novembro de 2016 –, o compromisso dos EUA, assumido durante a Administração de Obama, era o de reduzir as suas emissões de gases com efeito de estufa entre 26% e 28%, até 2025, face aos níveis registados em 2005.



(notícia actualizada às 00:54 de 2 de Junho)

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