Primeiro-ministro da Irlanda do Norte demite-se em clima de crise política
Peter Robinson anunciou esta quinta-feira que vai deixar o cargo de primeiro-ministro da Irlanda do Norte e que todos os ministros do seu partido se demitirão também, com excepção da ministra das Finanças, a quem pediu para ficar.
O primeiro-ministro da Irlanda do Norte demitiu-se e todos os seus ministros do Partido Unionista Democrático (DUP, na sigla em inglês) tomaram a mesma decisão, com excepção de Arlene Foster, num contexto de crise política em torno do assassinato de um ex-membro do Exército Republicano Irlandês (IRA) alegadamente por outros membros deste grupo teoricamente inactivo.
O DUP, que é o maior partido da Irlanda do Norte, não conseguiu o apoio dos partidos da oposição para adiar a sessão no Parlamento.
Peter Robinson tinha lançado um ultimato, dizendo que os seus ministros e ele próprio se demitiriam do Executivo se Londres não concordasse em suspender a Assembleia, conta o Belfast Telegraph.
Isto depois de o republicano Bobby Storey – figura de proa do Sin Fein, que era o antigo braço político do IRA – ter sido detido pela polícia no âmbito da investigação do assassinato de Kevin McGuigan, ex-membro do IRA. Além de Storey, foram também detidos para interrogatório dois outros conhecidos republicanos, Eddie Copeland e Brian Gillen.
Robinson queria adiar a Assembleia para poder avançar com conversações de emergência devido a alegações de que o IRA ainda existe e que terá sido o responsável pela morte do seu outrora membro McGuigan, refere o The Guardian.
Com efeito, George Hamilton, chefe da polícia da Irlanda do Norte, declarou que foram membros do IRA que mataram McGuigan em Agosto passado e que o grupo paramilitar republicano ainda mantém uma estrutura.
"À luz da decisão de continuar tudo como estava na Assembleia, demito-me das funções de primeiro-ministro e os restantes ministros do DUP demitir-se-ão com efeitos imediatos, com excepção de Arlene Foster", disse Robinson aos jornalistas.
"Pedi a Arlene para se manter como ministra das Finanças e assumir a posição de primeira-ministra interina, de modo a assegurar que os nacionalistas e republicanos não tomam decisões financeiras, ou de outra ordem, que possam penalizar a Irlanda do Norte", declarou, citado pela Reuters.
(notícia actualizada às 19h01)