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Quem são os economistas que estão a preparar o programa do PSD?

Não foi só o PS que contou com a ajuda de um grupo de economistas para elaborar o seu programa eleitoral. No PSD, um conjunto de 20 economistas chegou-se à frente para dar uma mão, embora noutros moldes: o processo será liderado pelo gabinete de estudos nacional, que vai recolhendo contributos de diferentes áreas e sensibilidades.

Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 26 de Maio de 2015 às 20:00
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A menos de meio ano das eleições, os partidos começam a acelerar os calendários para fechar os programas eleitorais. O PSD não é excepção e, na área económica, conta com um grupo, inicialmente composto por 15 pessoas – na fase final já tinha 20 pessoas – que se juntou para dar contributos, sugestões e ideias. É um grupo informal, sem liderança assumida, não é reconhecido pelo PSD e é coordenado por Pedro Reis, ex-presidente da AICEP, João Moreira Rato, ex-presidente do IGCP, e de Manuel Rodrigues, secretário de Estado das Finanças.

De acordo com o relato de um dos membros do grupo, os três coordenadores procuraram incluir no grupo pessoas que conheciam e que fugissem "aos mesmos de sempre". A "esmagadora maioria" dos membros é independente e tem "boas carreiras académicas". O debate foi feito com "rédea solta" e sem intervenção do PSD.

 

Os principais temas discutidos estiveram ligados às empresas (internacionalização, inovação, empreendedorismo), ao Estado (menos burocracia, mais agilidade, controlo da despesa pública) e às empresas (Segurança Social, emprego, emigração ou mercado de trabalho). As mexidas na TSU ficaram de fora das sugestões.

 

Apesar de a equipa contar com 20 membros na fase final, três pediram anonimato. Não foi possível apurar a identidade de outros cinco elementos. 

 

Manuel Rodrigues – é o actual secretário de Estado das Finanças, cargo que assumiu pouco depois da apresentação do Orçamento do Estado com o "enorme aumento de impostos" de Vítor Gaspar, em 2012. Tem apenas 34 anos e negociou, pelo PSD, o Orçamento do Estado para 2011, em conjunto com Eduardo Catroga e com o actual comissário europeu Carlos Moedas. É doutorado em Gestão pela Cranfield University School of Management e foi vice-presidente do PSD entre 2010 e 2012.

 

Pedro Reis – foi o primeiro nome que o actual Governo indicou para presidir à Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) – cargo que deixou há pouco mais de um ano e que era fundamental na estratégia de promoção das exportações. É próximo de Pedro Passos Coelho e publicou, a pedido deste, o livro "Voltar a Crescer", em Março de 2011, obra que inspirou o programa eleitoral do PSD desse ano. Licenciou-se em Gestão e Administração de Empresas na Universidade Católica. Actualmente, é assessor da Comissão Executiva do Millennium BCP.

 

João Moreira Rato – presidiu à Agência de Gestão da Tesouraria e Dívida Pública (IGCP) a partir de Abril de 2012, substituindo Alberto Soares. Doutorado pela Universidade de Chicago. Passou pelo falido Lehman Brothers e pelo Goldman Sachs e tem ampla experiência em mercados financeiros. Abandonou o IGCP no ano passado, quando se juntou à equipa de Vítor Bento na administração do Novo Banco, como CFO. Saiu dois meses depois.

 

Jorge Bravo – é especialista em sistemas de pensões e foi nessa qualidade que participou neste grupo. Dá aulas na Universidade de Évora e já colaborou em algumas iniciativas do PSD, como nas jornadas parlamentares de Março de 2014, onde falou sobre sustentabilidade demográfica e social.

 

José Brandão de Brito – doutorado em Economia pela Universidade de Birmingham, é o economista-chefe do Millennium BCP, responsável, por exemplo, pelas previsões sobre a evolução do PIB. Antes de chegar à banca privada, em 2006, José Brandão de Brito foi economista no Banco de Portugal. É filho de José Maria Brandão de Brito, economista e professor no ISEG. Pai e filho são colunistas do Negócios.

 

João Valle e Azevedo – a trabalhar no Banco de Portugal desde 2007, doutorou-se em Economia pela Universidade de Stanford e está no regulador desde 2007. Igualmente nesse ano começou a dar aulas na escola de gestão da Nova, em Lisboa, actividade que também exerce na Católica desde 2012. Interessa-se pela econometria de séries temporais e macroeconomia.

 

Pedro Portugal – é uma das referências no estudo do mercado de trabalho, uma espécie de Mário Centeno deste grupo. Pedro Portugal é economista no Banco de Portugal desde 1996 e doutorado em Economia pela Universidade da Carolina do Sul (Estados Unidos), nos campos do capital humano e da economia do trabalho. Já se tinha associado ao PSD em 2011, através do grupo "Mais Sociedade", em que propôs o contrato único de trabalho. Essa ideia constou do programa do PSD mas não avançou.

 

Cátia Baptista – é professora de Economia na Universidade Nova de Lisboa e é especializada no estudo das migrações e nas remessas de emigrantes, mas também no empreendedorismo e nas desigualdades de rendimento. À semelhança de Moreira Rato, também se doutorou em Economia em Chicago, onde chegou a dar aulas, tal como na universidade de Oxford. No currículo consta uma passagem pelo Banco Mundial, como consultora.

 

Eduardo Cardadeiro – especializado na regulação económica e em economia industrial, é um dos administradores não-executivos do Banco de Fomento (formalmente designado Instituição Financeira de Desenvolvimento). Tem no currículo colaborações com diversos governos. Foi nomeado em 2006 administrador do regulador das telecomunicações, a Anacom, e deu a cara pelo tumultuoso processo de implementação da TDT. Começou este mês a liderar a Universidade Autónoma de Lisboa.

 

Inês Domingos – professora de Economia na Universidade Católica, também colabora com o Núcleo de Estudos sobre a Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP) da faculdade, que divulga previsões sobre o comportamento da economia nacional. Tem um mestrado em Economia pela University College de Londres. É colunista no Observador.

 

Stephan Morais – é administrador executivo do Caixa Capital, um fundo de capital de risco e private equity da Caixa Geral de Depósitos que gere uma carteira de investimentos de 600 milhões de euros. É especialista em investimentos de private equity e colaborou com o governo de Durão Barroso. Foi vice-CEO do BNI de Moçambique e director da EDP.

 

Francisco Veloso – é o reitor da Católica Lisbon, a escola de gestão da universidade Católica que se classificou em 38º lugar no ranking do Financial Times. Debruça-se sobre a evolução das empresas e regiões e sobre a incorporação de tecnologia no crescimento económico. Também dá aulas na Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh nos Estados Unidos. Já tem colaborado com o PSD.

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