Seguro "arrasa" mas extremismo está "em ascensão". As presidenciais vistas lá fora
Os media internacionais destacam esta segunda-feira a vitória "por maioria esmagadora" de António José Seguro, mas alertam para a "votação recorde" da extrema-direita.
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O triunfo de António José Seguro nas presidenciais deste domingo foi noticiado em todo o mundo, sendo quase sempre enquadrado como uma vitória contra a extrema-direita. No entanto, a imprensa internacional não deixa de sublinhar que as forças extremistas estão a ganhar força em Portugal.
O candidato apoiado pelo Partido Socialista venceu, à segunda volta, com 66,82% dos votos, conquistando assim o segundo maior resultado de sempre em termos percentuais e o maior número de votos até hoje: quase 3,5 milhões. Já André Ventura, o líder do partido Chega, conseguiu apenas metade: 33,2% - ainda assim, mais 291,5 mil votos do que nas legislativas do ano passado.
O espanhol El País noticia o resultado sem ressalvas: "António José Seguro arrasa em Portugal e conquista a presidência para os socialistas 20 anos depois", pode ler-se online; a notícia tem espaço na primeira página da edição de papel sob o título "O socialista Seguro presidirá Portugal após derrotar o ultradireitista Ventura".
Também o francês Le Monde escreve que "Em Portugal, o socialista António José Seguro eleito Presidente contra a extrema-direita", muito semelhante à Bloomberg que noticia que "Portugal escolhe Seguro como Presidente, vencendo o líder da extrema-direita".
Já o italiano Corriere della Sera não esquece a devastação causada pelas tempestades que têm atingido Portugal, mas ressalva que a afluência às urnas foi ainda assim elevada, pelo menos tendo em conta o histórico no país: "A votação num Portugal inundado trava a extrema-direita do Chega. A presidência vai para um socialista".
No entanto, alguma imprensa internacional chama a atenção para o reforço de Ventura, apesar da vitória de Seguro. "Portugal elege um Presidente, com os esquerdistas a derrotarem uma extrema-direita em ascensão", lê-se no New York Times, com o jornal norte-americano a explicar que "apesar da vitória contundente de António José Seguro, a presença de um nacionalista na segunda volta mostra que Portugal não é imune à crescente onda da extrema direita na Europa".
Este é o tom também adotado pelo Guardian, que alerta que "Portugal elegeu um socialista como Presidente, mas o rival da extrema direita obtém votação recorde", e igualmente pela agência Reuters: "Portugal elege socialista como presidente por maioria esmagadora, mas a extrema direita cresce".
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