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Seguro acusa Passos Coelho de conviver mal com a democracia

O secretário-geral do PS acusou hoje o primeiro-ministro de conviver mal com a Constituição e "pelos vistos com a democracia" e defendeu que o Governo deve negociar politicamente com os líderes da 'troika' e não com técnicos.

34.º- António José Seguro 
Secretário-geral do Partido Socialista entra pela primeira vez na lista dos Poderosos.
Lusa 02 de Setembro de 2013 às 23:35
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"Este governo é que não consegue conviver com a Constituição da República e pelos vistos tem dificuldade em conviver com a democracia. O primeiro-ministro não tem o poder absoluto", disse António José Seguro, em entrevista à TVI24, após questionado sobre a decisão do Tribunal Constitucional que "chumbou" a lei da requalificação dos trabalhadores da função pública.

 

Segundo António José Seguro, "quando o primeiro-ministro diz que os juízes não tiveram bom senso está também a dizer que o Presidente da República não tem bom senso porque foi ele quem enviou o pedido de fiscalização com os argumentos que o Tribunal Constitucional considerou válidos".

 

Seguro disse que "respeita" as decisões do TC, independentemente de concordar ou discordar, considerando que "outra coisa é fazer um ataque" e defendeu que "quem está errado é o Governo e as suas políticas" e não a Constituição da República.

 

Questionado pelo jornalista Paulo Magalhães sobre se a negociação com a troika (FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) vai ser mais difícil, Seguro considerou que, pelo contrário, "vai ser mais fácil". "Se for utilizado um critério de realismo será uma negociação mais fácil. Se a troika olhar para a realidade portuguesa e se o Governo não mascarar essa realidade vai ter que reconhecer que falhou" e alterar a sua política.

 

"O país não pode estar de joelhos. Quem é a troika? Obviamente emprestaram-nos dinheiro e querem recebê-lo de volta e acha que é com uma dívida que já vai acima dos 130% que consegue pagar?", questionou.

 

Seguro sustentou que só com uma alteração de rumo será possível "honrar os compromissos" assumidos e disse que irá defender esta ideia junto da próxima missão da troika. "Não só dizemos como escrevemos", afirmou, defendendo que a negociação "não pode ser com os funcionários que vêm a Portugal, pessoas estimáveis e simpáticas mas que vêm cumprir ordens".

 

O secretário-geral socialista defendeu que o Governo português tem que "fazer uma negociação política" com os líderes das instituições que compõem a troika. Seguro manifestou-se convicto de que a troika irá "rever as suas metas outra vez" porque "o país não consegue chegar ao próximo ano com um défice de 4%".

 

Para o líder socialista, o primeiro-ministro deve ainda explicar "de uma vez por todas porque é que fala periodicamente em segundo resgate" e disse que se isso acontecer a responsabilidade é das políticas do Governo.

 

António José Seguro disse que a estratégia do PS passa por "ligar o processo de ajustamento das contas públicas à evolução da economia" e voltou a rejeitar "a política dos cortes" que levam "a mais défice, mais recessão".

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