Nas presidenciais, "Governo" foi a palavra mais mencionada nas redes sociais
As eleições eram para a Presidência da República, mas a palavra mais mencionada nas discussões nas redes sociais foi “Governo”, com as sondagens a ganharem também relevância ao longo das duas semanas de campanha eleitoral, atingindo o pico de menções no a 18 de janeiro, dia das eleições.
As conclusões são de um estudo da ALL Comunicação divulgado esta terça-feira com recurso à plataforma Buzzmonitor. Foram analisadas mais de 52 mil publicações nas redes sociais X (antigo Twitter), Facebook e Instagram entre os dias 4 e 19 de janeiro.
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Ao longo do período em análise, a palavra “Governo” foi ganhando relevância, com o dia 9 a ter mais menções, correspondendo ao “rescaldo de três falhas de socorro por parte do INEM”, levando o primeiro-ministro a dar explicações no Parlamento. Outro ponto identificado no calendário é a 14 de janeiro, com a divulgação da sondagem da Universidade Católica marcou a agenda na última semana de campanha. Os autores do estudo acreditam que este estudo de opinião “ajudou a consolidar a perceção de que o candidato associado ao Governo não teria hipóteses reais de avançar para a 2.ª volta, fazendo com que a conversa sobre a relação de Marques Mendes com o Governo se intensificasse.” No dia das eleições, a 18, voltou a referência mais expressiva ao Executivo, com o mau resultado de Marques Mendes.
António José Seguro passou à segunda volta com 31,11% dos votos e André Ventura 23,52%.
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A análise revela ainda que a palavra “sondagem” também ganhou um papel relevante nas discussões e publicações nas redes sociais, sendo “mencionada em 6.075 publicações durante estas duas semanas.”
Ao longo do período em análise, registou-se “um crescimento progressivo das menções entre os dias 4 e 12 de janeiro, atingindo o pico no dia das eleições, 18 de janeiro, com mais de 1.500 menções, confirmando a relevância das sondagens no acompanhamento do processo eleitoral.”
Para os autores, “este padrão evidencia a importância das sondagens como referência para antecipar cenários eleitorais, discutir margens de vitória e avaliar a possibilidade de uma segunda volta.” Mais, “as sondagens tiveram um impacto direto no comportamento eleitoral, nomeadamente ao nível do voto útil”, concluem. As sondagens terão ainda “condicionado a dinâmica das campanhas, influenciando a perceção de viabilidade de alguns candidatos e retirando impulso a outros. Este dado reforçou as leituras de uma ‘corrida a dois’ ou ‘a três’.
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A análise procurou também avaliar a proximidade ou afastamento dos candidatos face aos partidos de que derivavam ou tinham o apoio.
“No caso de André Ventura, existe um alinhamento muito forte entre os temas associados ao candidato e ao Chega”, referem os autores. A imigração surge “claramente como o tema dominante em ambos, seguido de defesa e segurança, com volumes de menções muito semelhantes.”
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Pelo contrário, as “principais diferenças surgem apenas em temas como poderes presidenciais e integridade, mais associados ao candidato do que ao partido, o que é expectável numa eleição presidencial de natureza personalista.”
No caso de António José Seguro observa-se o “cenário inverso: quando se fala do candidato, os temas centrais são sondagens, governo, estabilidade política e poderes presidenciais, enquanto as menções ao Partido Socialista se concentram mais em áreas setoriais como saúde ou imigração”, uma circunstância que leva os utilizadores das redes sociais a “distinguiram claramente António José Seguro do PS, associando-o mais a um perfil institucional e menos a uma agenda partidária, ao contrário do que acontece com André Ventura, cuja imagem surge fortemente colada à do Chega.”
Por fim, André Ventura foi quem mais cresceu a nível de seguidores no Facebook, aumentando quase em 40 mil a sua base, gerando quase 2 milhões de interações no Facebook. "Um número que é sete vezes superior ao de Seguro, que foi o segundo candidato a gerar mais interações." Por sua vez, no Instagram quem liderou o crescimento foi João Cotrim de Figueiredo, que ganhou quase 48 mil seguidores nas últimas duas semanas de campanha. "André Ventura conquistou cerca de 34 mil. E Seguro ultrapassou os 22 mil", indicam os dados.
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