Um quarto da população mundial tem dificuldades financeiras devido a despesas de saúde
Um quarto da população mundial enfrenta dificuldades financeiras devido às despesas de saúde e 1,6 mil milhões de pessoas vivem na pobreza por esse motivo, alertou esta quarta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Os dados constam do relatório estatístico de 2026 da OMS, que salienta que vários indicadores registam uma evolução lenta e desigual entre várias regiões do mundo para que seja possível alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pelas Nações Unidas (ONU) para a saúde em 2030.
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Mesmo com uma redução ligeira de 28% para 26% entre 2015 e 2022, cerca de 2,1 mil milhões de pessoas debatiam-se com dificuldades financeiras devido aos custos que tiveram de suportar com a saúde, incluindo os 1,6 mil milhões que foram "empurradas para a pobreza" por essa razão, refere a agência ONU.
Estas dificuldades financeiras demonstram como esses custos com a saúde "limitam a capacidade das pessoas para cobrir as necessidades básicas ou para adquirir outros bens e serviços", avisa a OMS.
"Se a taxa média anual de redução de 2015 a 2022 se mantiver, prevê-se que quase uma em cada quatro pessoas em todo o mundo continue a enfrentar dificuldades financeiras relacionadas com a saúde em 2030", salienta o relatório.
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O documento estatístico estima ainda que tenham ocorrido 22,1 milhões de mortes em excesso associadas, direta ou indiretamente, à covid-19 entre 2020 e 2023, aproximadamente três vezes mais do que os sete milhões de óbitos oficialmente reportados em todo o mundo devido à pandemia.
Estes dados incluem a subnotificação de mortes causadas diretamente pelo coronavírus, mas também as indiretas resultantes de interrupções nos serviços de saúde e de constrangimentos económicos e sociais agravados durante o período da pandemia.
"A esperança de vida global e a esperança de vida saudável aumentaram de forma constante de 2000 a 2019, mas a pandemia de covid-19 apagou quase uma década de progresso" nessa área, adianta o documento.
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A OMS salienta que, nas últimas duas décadas, os compromissos nacionais e multilaterais proporcionaram "grandes progressos na saúde global", com reduções significativas na mortalidade materna e infantil, na incidência do VIH e da tuberculose, no consumo de tabaco e de álcool, mas reconhece ser ainda "preocupante" o panorama desigual entre regiões e populações vulneráveis.
"Estes desafios são exacerbados por uma emergência global de financiamento da saúde", alerta a organização, que estima que a ajuda oficial ao desenvolvimento para a saúde tenha sido 30% a 40% menor em 2025 do que em 2023.
"As reduções repentinas na ajuda representam um risco de interrupção significativa dos serviços essenciais de saúde, além de reduzir o acesso a medicamentos e vacinas essenciais que salvam vidas", refere a organização.
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No que se refere às doenças infecciosas, entre 2010 e 2024 as novas infeções pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH) caíram 40%, a taxa de incidência de tuberculose desceu 12% desde 2015 e o número de pessoas que necessitaram de cuidados devido a doenças tropicais caiu 36% desde 2010.
No entanto, a incidência global de malária aumentou 8,5% desde 2015, distanciando-se ainda mais da meta definida para 2030, avança a organização da ONU para a área da saúde.
Já em relação aos fatores de risco, a OMS realça que o consumo de tabaco e de álcool diminuiu desde 2010 e a previsão é que fique muito próximo das metas globais previstas para 2030.
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Além disso, entre 2015 e 2024, mais 961 milhões de pessoas obtiveram acesso a água potável de forma segura e 1,2 mil milhões a saneamento básico, mas "milhares de milhões de pessoas ainda não têm acesso a estes serviços" e o acesso nas zonas rurais mais difícil do que nas cidades.
De acordo com a agência, as taxas de mortalidade materna e de crianças com menos de cinco anos caíram 40% e 51%, respetivamente, desde 2000, mas esta evolução desacelerou recentemente.
A taxa de mortalidade materna em 2023 foi ainda quase três vezes superior à meta definida para 2030 e nenhuma região da OMS está no bom caminho para atingir os ODS neste indicador dentro de quatro anos, salienta a OMS.
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