Reformados ricos passam à frente nos lares de IPSS
Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) contornam ordem da lista de inscrições. Reformas mais altas passam à frente.
Os reformados com uma pensão mais alta têm mais facilidade em arranjarem vaga nos lares geridos por Misericórdias e Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) do que os mais pobres. A notícia é avançada esta segunda-feira pelo “Diário de Notícias”, que diz que a situação é incentivada pela União das Misericórdias.
Segundo relata esta manhã o jornal, as misericórdias gerem actualmente cerca de 73% dos equipamentos de protecção social – seja a idosos, crianças e deficientes. A politica de consignação tem sido especialmente incentivada por este Governo, de tal modo que o Estado paga actualmente às IPSS 1,3 mil milhões de euros por ano para as instituições desempenharem estas funções.
Na área da velhice em particular as listas de espera chegam a ser de vários anos, e há provedores que contornam a ordem de inscrição dos pensionistas candidatos a uma vaga nos lares. E muitas vezes os mais pobres ficam para trás.
Contactado pelo “Diário de Notícias” Manuel Lemos, presidente da União das Misericórdias, reconhece a situação, e diz que algumas instituições atravessam uma situação de grande dificuldade financeira. Deixar passar os idosos mais ricos à frente é “actualmente é a única forma possível de algumas Misericórdias terem os idosos menos dotados financeiramente”.
Manuel Lemos considera que não há qualquer imoralidade no processo: “É uma questão de equilíbrio”, garante. E “se o Estado não concorda, então que pague mais, em vez dos 370 euros que dá por cada idoso, que pague 500 euros”, refere o responsável.