Agricultores juntam-se a protesto para exigir resposta da UE à crise dos fertilizantes e combustíveis
A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) participa esta terça-feira, em Estrasburgo, numa ação de protesto junto ao Parlamento Europeu, promovida pelas principais organizações agrícolas europeias, sob o lema "crise nos fertilizantes e nos combustíveis hoje, crise alimentar amanhã" para alertar para "o impacto insustentável do aumento dos custos dos fertilizantes, combustíveis e energia".
Em comunicado, enviado às redações, a CAP explica que o setor agrícola europeu decidiu juntar-se para reivindicar medidas de apoio, como a suspensão do Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço (CBAM, na sigla em inglês), que taxa produtos importados com base nas emissões de carbono, nomeadamente fertilizantes.
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A iniciativa de protesto pretende "chamar a atenção para a situação crítica que o setor agrícola europeu atravessa, marcada por um aumento sem precedentes dos custos de produção, em particular nos fertilizantes, combustíveis e energia". A ação estava prevista a partir das 9h (hora de Lisboa) junto ao Parlamento Europeu, "marcando o momento em que a Comissão Europeia apresenta o Plano Europeu de Ação para os Fertilizantes".
Luís Mira, secretário-geral da CAP, representa os agricultores portugueses nesta ação, para "exigir medidas concretas, urgentes e eficazes de apoio à agricultura", considerando que "o atual nível dos custos ameaça seriamente a viabilidade económica das explorações agrícolas, compromete a competitividade da agricultura europeia e coloca em risco a segurança alimentar dos cidadãos".
Mas esta manifestação - como frisa a CAP – "é também um sinal claro dirigido ao Governo português".
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"Portugal continua a ser um dos países da União Europeia com menos medidas concretas de apoio aos agricultores a serem efetivamente aplicadas, e a diferença face a países que concorrem diretamente com a agricultura portuguesa – como Espanha, França e Itália – é hoje claramente penalizadora para a produção nacional", critica.
Nestes Estados-Membros - reforça - "estão já em execução pacotes de apoio ao setor agrícola, destinados a compensar o aumento dos custos dos combustíveis, fertilizantes e restantes fatores de produção".
Secretário-geral da CAP
"Em Portugal, os agricultores continuam confrontados com anúncios sucessivos, promessas repetidas e ausência de respostas concretas por parte do Governo, capazes de mitigar os impactos desta crise no rendimento das explorações. É inaceitável que os agricultores portugueses sejam obrigados a competir em clara desigualdade dentro do mercado europeu por falta de vontade política do Governo português em apoiar a agricultura", afirma Luís Mira, citado na mesma nota.
"Os agricultores portugueses não podem continuar a ser tratados como agricultores de segunda dentro da União Europeia. Enquanto outros países protegem a sua produção, os seus agricultores e as suas economias rurais, Portugal continua sem uma resposta à altura da gravidade da situação. A agricultura portuguesa precisa de respostas. E precisa delas agora", insiste.
Secretário-geral da CAP
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