Rali de Portugal suspende trabalhos florestais. Unimadeiras fala de “sintoma da doença de um país”

A importância do evento “não pode ser construída à custa de setores que garantem a resiliência do território ao longo de todo o ano”, considera a Unimadeiras, empresa que agrega mais de seis mil produtores florestais, que contesta a decisão da Câmara de Sever de Vouga.
D.R.
Rui Neves 15 de Abril de 2026 às 09:51

Esta terça-feira, 14 de abril, a Câmara de Sever do Vouga determinou que, por causa da edição deste ano do Rali de Portugal, “estão suspensos imediatamente todos os trabalhos de extração, corte, arraste e transporte de madeira nos troços Alombada – Alto do Roçario Braçal – Alto da Serra até 7 de maio (inclusive)”.

A Unimadeiras contesta a decisão municipal, considerando-a “um sintoma da doença de um país que passa ao lado dos grandes desafios locais e globais no atual contexto”.

PUB

“Perante os impactos das tempestades que recentemente afetaram várias áreas do país, a Unimadeiras tem trabalhado diariamente e arduamente na gestão da floresta do país”, afirma, em comunicado, a empresa que envolve uma base de cerca de 700 acionistas e uma rede alargada de mais de seis mil produtores florestais.

Para a Unimadeiras, a decisão da Câmara de Sever do Vouga “levanta uma questão séria: em que momento uma prova desportiva passou a justificar a interrupção de uma atividade económica estruturante?

“Sobretudo no atual contexto em que os territórios enfrentam pressão crescente”, sublinha, lembrando os eventos climáticos extremos, risco de incêndio, abandono rural e necessidade urgente de gestão ativa da floresta.

PUB

“Interromper o acesso e a operação no terreno durante semanas pode não ser apenas uma decisão administrativa. Antes, uma escolha que fragiliza ainda mais um sistema já exposto”, alerta.

“Compreende-se a importância do Rali de Portugal. É um evento com visibilidade internacional, impacto económico e relevância mediática. Mas essa importância não pode ser construída à custa de setores que garantem a resiliência do território ao longo de todo o ano”, afirma Nuno M. Pinto, diretor de sustentabilidade e inovação do grupo Unimadeiras.

PUB

Para este gestor, “tem de existir mais equilíbrio, perceber que governar a nível local e nacional não é escolher entre espetáculo e a economia real. É garantir que ambos coexistem, sem que um anule o outro”, defende.

De forma a existir uma floresta bem gerida, mais produtiva e mais resiliente, esta empresa enfatiza que “não se pode e não se deve continuar a tratá-la como um obstáculo temporário, no qual tudo é descartável e removido sempre que acontece um evento”.

“A própria entidade que organiza o rali, o Automóvel Clube de Portugal, tem de começar a ter uma visão mais abrangente e responsável no país. Não podemos viver todos em capelinhas como se os grandes desafios de Portugal nos passassem ao lado,” observa Nuno M. Pinto.

PUB

A Unimadeiras lembra que as tempestades que atingiram o território nacional em fevereiro provocaram a queda de cerca de mais de dois milhões de toneladas de madeira, sobretudo em povoamentos de pinheiro-bravo na região centro.

“Este volume extraordinário representou um choque súbito de oferta no mercado, com impactos logísticos e económicos significativos para proprietários florestais e operadores da fileira”, assinala.

Saber mais sobre...
Saber mais Floresta Empresa Milhões Florestas Portugal Sever do Vouga
Pub
Pub
Pub