Ameaças de Trump a Madrid paralisam negócio de maior produtor mundial de azeite
Gigante espanhola Dcoop diz que ameaças não ajudam a fechar a compra dos restantes 50% da Pompeian, descrita como marca líder no mercado dos Estados Unidos.
O grupo Dcoop, o maior produtor mundial de azeite, decidiu adiar a compra dos restantes 50% da sua subsidiária americana, a Pompeian, depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter ameaçado cortar as relações com Espanha, incluindo comerciais, devido à posição de Madrid que recusou deixar os norte-americanos usarem as suas bases militares nos ataques ao Irão.
Segundo o El Economista, que cita fontes do grupo, o acordo ainda não tinha sido finalizado e estava em negociação. "As ameaças não ajudam a fechar o negócio", explicaram, apontando que há receio de que um eventual embargo torne a compra "menos atrativa".
A Pompeian figura como a marca líder no mercado americano, com 20% de quota, segundo o jornal espanhol, que indica que, atualmente, a Dcoop vende aproximadamente 60 milhões de litros nos Estados Unidos e tem um volume de negócios na ordem dos 700 milhões de dólares. A concretizar-se o negócio - adianta - daria um contributo de pouco mais de 300 milhões para a receita consolidada do grupo.
Em novembro, o presidente da cooperativa, António Luque, sinalizou que a consolidação daria um impulso significativo à empresa que fechou 2024 com um volume de negócios de 1,55 mil milhões de euros.
A subsidiária nos Estados Unidos é detida em 50% pela Dcoop, estando a outra metade do capital nas mãos da família marroquina Devico, que colocou a sua participação à venda, após a morte, há mais de um ano, de um dos seus membros, considerado o "cérebro" do negócio.
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