138 anos depois, abre um novo banco comercial no Reino Unido
Se há um sector que sofreu com a crise que, hoje, afecta todo o mundo, é o sector bancário.
Os resgates que os governos se viram obrigados a fazer para salvar alguns bancos da falência podem tê-los salvo financeiramente, mas o rombo que tais medidas significaram na reputação das instituições só agora se está a aferir verdadeiramente. É, por isso, compreensível que os governos clamem por maior concorrência. Exige-se sangue novo.
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No Reino Unido o Metro Bank foi o primeiro a corresponder ao pedido do governo. Acaba de anunciar a abertura do primeiro balcão, em Holborn, Londres, e a intenção de, até 2020, abrir mais 200 balcões. O tal sangue novo começa, assim, a preencher as artérias de Londres. Anthony Thomson, presidente e co-fundador da instituição, aponta como meta para 2020, deter 10% de quota no mercado de bancos de retalho. Para tal, nos próximos três anos o banco poderá angariar 250 milhões de libras (300 milhões de euros) para financiar a expansão, provavelmente, através e uma subscrição pública de capital, adiantou Thomson em entrevista à Bloomberg, no novo banco de Holborn.
“Nós vemos uma enorme oportunidade de crescimento no m
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Steve Davies
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ercado actual. A única forma de outros bancos aumentarem os seus lucros é através de cortes nos custos. Nós investiremos em serviços porque nós estamos no mercado de tirar quota aos outros bancos”, garantiu Thomson à Bloomberg.
A intenção de Thomson é, assim, capitalizar no colapso financeiro de instituições, até há pouco tempo, imbatíveis, como o Northern Rock e “roubar” clientes aos (ainda) maiores bancos do país (HSBC, Barclays, Lloyds Banking e Royal Banking of Scotland) cuja reputação sofreu um revés com o despoletar da crise financeira global. O plano, para já, contempla trunfos como horários de abertura mais longos e durante sete dias por semana e a oferta de melhores e mais rápidos serviços que os seus concorrentes, dos quais são exemplos um serviço de “call-center” disponível 24 horas e serviços bancários online.
“Eu preciso de saber se um novo banco me vai oferecer algo de consideravelmente diferente daquilo que me é oferecido pelo meu banco actual”, antes de decidir mudar. “Não sei exactamente o quê, mas porque não um incentivo monetário?” Porque não? O Metro Bank, fundado por Thomson e Vernon Hill (fundador do Commerce Bank, no EUA, em 1973), não promete incentivos monetário, mas desde já adianta que disponibilizará produtos como hipotecas, cartões de crédito, empréstimos e contas-poupança, com taxas “justas e transparentes”.
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Sem adiantar muito mais, o presidente da instituição garante que o banco a que preside se distinguirá dos restantes não só através das taxas praticadas mas pelo serviço ao consumidor. O Metro Bank é o primeiro desde 1872 (ano em que o Co-operative Bank entrou no mercado) mas outros se seguirão. O Virgin Bank do milionário Richard Branson planeia entrar no mercado em 2011, ano em que Peter Levene, presidente do Lloyd de Londres, planeia abrir o Project New Bank. Um novo movimento parece, assim, estar em andamento. Resta saber se haverá correspondência por parte dos consumidores.
“O grande desafio por trás de toda esta nova actividade no sector será o de saber se os consumidores mudarão ou não de contas, para novos bancos”, adiantou Steve Davies, chefe da secção de bancos de retalho na PricewaterhouseCoopers. “Novos bancos trarão uma nova perspectiva ao sector bancário no Reino Unido, mas será uma maratona. Não um ‘sprint’”, concluiu. Sendo uma prova de resistência ou de velocidade, uma coisa é certa: o disparo de pistola já soou.
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