AHRESP responde a Santos Pereira: "É indispensável uma análise do setor que vá além das médias"
A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) reforçou esta terça-feira o apelo para medidas de apoio à restauração, considerando que as estatísticas agregadas não medem a crise que vive parte do setor.
No comunicado divulgado esta terça-feira, a associação defendeu que "as políticas públicas possam ir além dos indicadores médios e respondam à realidade de quem opera no terreno", apontando que desde logo os microempresários não têm condições de ajustar os preços face à subida de custos (alimentos, energia e custos do trabalho) e recuo da procura.
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"Este setor, de enorme importância para a economia nacional, tem de ser preservado. São necessárias condições reais para que estas empresas possam manter as suas atividades - e para isso, é indispensável que a análise do setor vá além das médias e reconheça a pressão real sobre as margens das microempresas", apelou a associação.
A AHRESP referiu-se ainda indiretamente às publicações que o governador do Banco de Portugal fez na rede social X na segunda-feira intituladas "Crise na Restauração?". Aí, munindo-se de estatísticas (referiu, por exemplo, que o setor cresceu 69% em termos nominais desde 2019, graças à expansão do turismo e do aumento do consumo, e só em 2025 o volume de negócios do setor cresceu 2,9% em termos nominais, face ao ano anterior), Álvaro Santos Pereira afirmou que "em relação à crise na restauração os números são de tal forma evidentes que falam por si".
As publicações do governador seguem-se a uma entrevista no fim de semana passado da secretária-geral da AHRESP, Ana Jacinto, à Antena 1/Jornal de Negócios em que defendeu medidas urgentes de apoio.
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Em janeiro passado, o ministro da Economia e da Coesão Territorial anunciou que o Turismo de Portugal vai apoiar as empresas do setor turístico, incluindo a restauração, através do pagamento de dívida à banca e alargando os prazos de devolução do dinheiro ao organismo. Contudo, as medidas anunciadas (já então consideradas insuficientes por associações do setor) nunca foram executadas.
Ainda no comunicado hoje divulgado, a AHRESP considerou que a restauração opera atualmente "num contexto de pressão estrutural crescente, de margens severamente comprimidas e de encerramentos silenciosos, sobretudo entre micro e pequenas empresas familiares".
A associação cita os últimos dados disponíveis do Instituto Nacional de Estatística (INE), de 2024, segundo os quais o setor contava com 74.524 empresas e 324.130 trabalhadores.
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Para a AHRESP, os números "isoladamente sugerem um setor dinâmico", mas escondem uma realidade em que 91% das empresas são microempresas e 51% são empresários em nome individual, uma "natureza fragmentada e de micro dimensão" que considera torna a análise agregada e global insuficiente para retratar os problemas do setor.
"Muitos destes negócios são de proximidade, de base familiar e desempenham uma função social acrescida --- não só pela criação do próprio posto de trabalho, mas também pela presença nos territórios de baixa densidade, onde muitas vezes são o único ponto de referência comercial e social da comunidade", lê-se no comunicado da AHRESP.
Já na segunda-feira, a PRO.VAR - Associação Nacional de Restaurantes contestou as afirmações do governador do Banco de Portugal, cuja análise disse ser "manifestamente redutora", e alertou para o colapso da restauração tradicional.
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A PRO.VAR alertou para o facto de misturar restaurantes tradicionais, cadeias organizadas, 'fast food' e restauração em supermercados conduzir a conclusões erradas e desfasadas.
Assim, sublinhou que o crescimento destacado pelo governador está fortemente concentrado em modelos de grande escala, com custos diluídos, que "têm vindo a ganhar terreno nos últimos anos [...], à custa da 'ineficiência dos restaurantes tradicionais, e apresentam resultados positivos, contribuindo para distorcer os indicadores globais".
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