Condutores antecipam subida do preço do combustível e acorrem às bombas

O preço do gasóleo e gasolina vai disparar na segunda-feira. O gasóleo sobe 25 cêntimos por litro e a gasolina sete.
Luís Guerreiro / Medialivre
Lusa 16:56

A perspetiva de uma forte subida dos preços de combustível a partir da próxima semana levou os condutores a 'jogarem' pela antecipação e a atestarem o depósito, sem registo de grandes filas nas bombas da Área Metropolitana de Lisboa.

"Mãe, porque é que as bombas estão sempre cheias hoje em dia?". A pergunta é feita por uma criança na casa dos 10 anos, que vai a passar a pé com a mãe junto a uma bomba de combustível da Prio, na Amadora, distrito de Lisboa.

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O relógio marca as 11:43 e o cenário é de algumas filas de carros, ainda que sem grandes engarrafamentos, muito à custa da prontidão de um funcionário que vai pedindo aos condutores que se dirijam a determinadas bombas para "aliviar" o trânsito.

À Lusa, o funcionário conta que o aumento da procura se começou a sentir a partir de quinta-feira, quando se começaram a antecipar as subidas dos preços e ainda antes de o Ministério das Finanças confirmar que o Governo iria avançar com um desconto de 3,55 cêntimos por litro no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) aplicável, no continente, ao gasóleo rodoviário.

Fernando Lopes foi um dos condutores que quis 'jogar' pelas antecipação e veio encher o depósito de gasóleo para tentar contornar a subida de preços que se avizinha a partir de segunda-feira, mas, apesar do aumento da procura não teve que esperar "muito". "Pensava que até ia esperar bem mais", admite.

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Também Leonardo Francisco, que costuma vir "sempre" a esta bomba e está a escassos metros de um dos postos de combustível, corrobora: "Ainda só estou aqui há mais ou menos 10 minutos", afirma, considerando que "é pouco tempo".

Nesta bomba de combustível, o preço do gasóleo simples está tabelado a 1,694 euros por litro, enquanto o da gasolina simples a 1,744 euros/litro. Mas a perspetiva de subida dos preços a partir da próxima semana (na ordem dos 19 cêntimos para o gasóleo e de cerca de 7 cêntimos na gasolina), impulsionada pela escalada dos preços do petróleo -- que tocaram máximos de 2022 na sequência da guerra no Médio Oriente -- preocupa alguns condutores.

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"É um aproveitamento em relação à guerra porque não há nada que justifique esta enormidade de aumento", afirma Fernando Lopes.

"Vamos ver o que é que vai dar. Pode ser que a guerra acabe rapidamente", acrescentou Leonardo.

Na bomba da Auchan em Alfragide, considerada um dos postos de abastecimentos mais frequentados da Área Metropolitana de Lisboa, o gasóleo simples está a 1,619 euros/litro e a gasolina simples a 1,1679 euros/litro, sendo que o cenário é idêntico: alguma afluência, mas sem grandes filas.

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João Moniz, que ao contrário dos restantes condutores ouvidos pela Lusa, diz que veio abastecer por estar "perto da bomba". Assumindo que é um frequentador assíduo deste posto, nota que "está muito mais gente". "A esta hora não costuma estar tanta gente", acrescenta.

Tal como João Moniz, Beatriz Silva veio 'pôr' gasolina e ambos lamentam o facto de este tipo de combustível ter ficado de fora do 'alívio' do ISP, pelo facto de não se perspetivar uma subida superior a 10 cêntimos por litro.

"Tendo em conta que os preços da gasolina e do gasóleo já são tão caros em Portugal, se calhar também poderia ter havido aqui algum desconto também a nível da gasolina", salienta a jovem condutora.

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Já Sara Ferreira, outra condutora ouvida pela Lusa junto à bomba em Alfragide e que também veio abastecer o carro a gasolina para contornar a subida dos preços, diz que nota o posto "um bocadinho mais cheio" e insta o Governo a "tomar mais medidas".

"As coisas já estão difíceis e a subir desta maneira não sei como é que vai ser", desabafa.

A posição foi corroborada por João Moniz: "tendo em conta o contexto internacional e que vai haver aumentos nas próximas semanas, devia haver medidas" para travar os preços, que "sobem muito", disse.

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Também Paulo Louro, que veio tentar poupar "alguma coisa", se queixa da subidas dos preços, considerando que se trata de "manipulação de mercado". "Desculpas e mais desculpas, mas quando passar a guerra vão continuar a ser os mesmos preços", atira, enquanto espera para abastecer na bomba da Prio, no Campo Grande, em Lisboa, instalando ainda o Governo a tomar "medidas assertivas" e a ajustar os preços.

Alfredo Silva aproveitou para atestar enquanto os preços estão "um bocadinho mais em conta", considerando que o alívio no ISP é "quase nada".

O Governo "devia aliviar mais um bocadinho. Isso não é quase nada, praticamente", aponta, referindo ainda que a afluência a esta bomba da capital está "mais ou menos como é costume". "Pensei que estivesse mais trânsito", remata, sublinhando, no entanto, que pode ser "por ser hora de almoço".

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Na sexta-feira, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, indicou que o Governo continuará a acompanhar a evolução do preço dos combustíveis "nas próximas semanas", sem excluir mais medidas a nível nacional e até ibérico.

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