Endesa abandona mercado liberalizado em Portugal

O presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, afirmou hoje que vai abandonar o mercado liberalizado em Portugal por não ter condições para importar de Espanha electricidade a preços competitivos.
Negócios com Lusa 01 de Outubro de 2007 às 19:50

O presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, afirmou hoje que vai abandonar o mercado liberalizado em Portugal por não ter condições para importar de Espanha electricidade a preços competitivos.

Em causa está o congestionamento das interligações entre Portugal e  Espanha com a entrada em vigor, a partir de 1 de Julho, das novas regras  do mercado ibérico de electricidade (MIBEL), que reduziu essa interligação  a duas horas e quinze minutos diários, afirmou aos jornalistas à saída do  encontro "Mercado Ibérico de Electricidade: Os próximos 5 anos", noticia a agência Lusa.  

PUB

Segundo o responsável, na maior parte do tempo a capacidade de interligação  é utilizada pela EDP para ir a Espanha comprar electricidade mais barata  e revendê-la em Portugal a preços mais baixos.  

Com o mecanismo de "market spliting", a EDP tem prioridade no acesso  às linhas de transporte devido ao seu peso relativo ser superior no mercado  português em relação aos outros distribuidores, explicou.  

A Sodesa (empresa de distribuição de electricidade constituída pela  Endesa e pela Sonae) abastece 3.200 pontos de entrega em Portugal, num total  de 4 gigawatts/hora (GWh), o que representa 54% do mercado liberalizado, afirmou.  

PUB

Por dia, a Sodesa necessita de 500 megawatts (MW) de capacidade de interligação  e só tem acesso a 100 megawatts (MW), afirmou Ribeiro da Silva.  

"Nestas condições vamos sair do mercado português, pois estamos a perder  milhões de euros por dia", afirmou.  

Sem capacidade para abastecer os seus clientes, uma vez que a Endesa  não tem capacidade de produção em Portugal, Nuno Ribeiro da Silva afirma  que vai começar a deixar de renovar os contratos à medida que forem expirando  e vai acelerar alguns processos para enviar clientes para a tarifa regulada. 

PUB

O responsável critica o Governo por nada ter feito e afirma que alertou  um mês antes os responsáveis, nomeadamente, a REN, a ERSE e o Ministério  da Economia, para o constrangimento nas interligações que as novas regras  iam criar.  

Ribeiro da Silva lamenta ainda que o Governo nada tenha feito, quando  teve oportunidade, para evitar a situação de monopólio da produção por parte  da EDP, numa alusão às barragens do Alqueva e do Baixo Sabor.  

"Com o absoluto domínio sobre o hídrico até 2024, não se criam os lampejos  para trazer algum nervosismo ao mercado", sublinhou.  

PUB

Para Nuno Ribeiro da Silva, o MIBEL é um tratado político e não um verdadeiro  mercado, não passando de uma ficção.  

"Temos um triângulo assassino que mata o mercado com a distorção de  preços, o monopólio de produção em Portugal e a deficiência nas interligações",  concluiu.  

Pub
Pub
Pub