Parlamento aprovou proposta do Governo para baixar limites do ISP até 30 de junho
A Assembleia da República aprovou esta quarta-feira por unanimidade em votação final global a proposta do Governo para descer temporariamente os limites mínimos do imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos (ISP) até 30 de junho.
A iniciativa legislativa, destinada a responder ao aumento do preços dos combustíveis causado pela guerra no Médio Oriente, foi votada e aprovada na generalidade, especialidade e em votação final global com os votos a favor de todas as bancadas. O deputado único do BE, Fabian Figueiredo, anunciou uma declaração de voto escrita.
PUB
De acordo com a proposta, os limites mínimos das taxas unitárias do ISP relativos à gasolina sem chumbo baixam para 199,89 euros por 1.000 litros e as do gasóleo recuam para 156,66 euros.
Na exposição de motivos, o Governo diz querer ter "margem suficiente para continuar" a aplicar o desconto no ISP através da devolução da receita adicional de IVA e, para isso, considera "conveniente reduzir temporária e excecionalmente os limites mínimos das taxas unitárias do ISP, assegurando os limites estabelecidos pela legislação europeia".
No período de debate, a secretária de Estado dos Assuntos Fiscais, Cláudia Reis Duarte, considerou que esta proposta é "fundamental para que o Governo continue a responder a uma realidade excecional resultante de um "contexto internacional instável" e defendeu a intervenção do executivo.
PUB
"O Governo não foi indiferente a esta crise, nem desvalorizou as suas consequências para as famílias e para as empresas. Pelo contrário, reagiu de forma imediata, foi o primeiro país a fazê-lo e reagiu logo nos dias seguintes ao início do conflito", disse, apontando para a devolução da receita fiscal do adicional do IVA por via da redução temporária do ISP.
Pelo Chega, o deputado Rui Afonso alegou que, perante a mesma crise energética, Espanha, Itália e Roménia decidiram "reduzir diretamente a carga fiscal efetiva", enquanto Portugal "criou um labirinto fiscal", com "ajustes semanais de ISP que ninguém compreende" e "anúncio que parecem descontos, mas são neutralizados por outros aumentos fiscais".
O deputado do PS António Mendonça Mendes anunciou o voto favorável dos socialistas, assinalando como única crítica a altura em que a iniciativa foi apresentada, considerando que a proposta devia ter surgido antes dos preços terem atingido os níveis atuais.
PUB
Da IL, o deputado Jorge Miguel Teixeira defendeu que o Governo devia ir mais longe e "investir as suas energias" em baixar os impostos e pediu ainda uma maior aposta nos transportes públicos.
Pelo PCP, o deputado Alfredo Maia não se opôs à proposta de lei em debate mas realçou que esta iniciativa "não resolve o agravamento brutal dos preços dos combustíveis e de outros produtos energéticos", defendendo a fixação de preços máximos para bens e serviços essenciais e criticando "as margens obscenas dos grupos económicos".
Patrícia Gonçalves, do Livre, defendeu que a proposta do Governo "não implica automaticamente uma nova descida de impostos, não resolve por si o problema estrutural dos preços e apenas garante que a margem legal existe para continuar a ajustar o ISP".
PUB
Fabian Figueiredo, do BE, defendeu uma descida temporária do IVA dos combustíveis para a taxa intermédia, "para que isso se reflita no bolso das famílias" e Inês de Sousa Real, do PAN, considerou que esta iniciativa do Governo "continua a ser muito curta" e são "migalhas" quando comparada a outras medidas.
Para encerrar o debate, a secretária de Estado dos Assuntos Fiscais salientou que se vive "uma conjuntura de grande incerteza, apesar das boas notícias" desta terça-feira, acrescentando que o atual momento "exige prudência, responsabilidade, rigor" e não "discursos inflamadas, nem catastrofistas".
O Chega, a IL e o BE tinham submetido propostas de alteração a esta iniciativa do Governo, mas nenhum foi admitida pelo presidente da Assembleia da República, que alegou a violação da norma-travão no caso do Chega e dos bloquistas e que o projeto dos liberais foi entregue fora do prazo, além de reservas de ordem constitucional.
PUB
Saber mais sobre...
Saber mais preços Bom preço PREC combustíveis CHEGA Bloco de Esquerda Fabian Figueiredo Partido Comunista Português Médio Oriente Espanha Portugal Itália Patrícia Gonçalves António Mendonça Mendes Miguel Teixeira Rui AfonsoDuas guerras, um vencedor
O PS está sem estratégia?
Mais lidas
O Negócios recomenda