Portugueses investem no maior projecto turístico da América Latina
O grupo Dom Pedro, o Solverde, o Ceará Investment Fund, do Banco Privado Português, e o empresário André Jordan, com o parceiro local Ivens Dias Branco apresentaram o maior projecto turístico na América Latina, cuja inauguração está prevista para finais de 2006.
O Aquiraz Golf & Beach Villas vai nascer do consórcio Agesco (Aquiraz Gestão de Condomínios) que já investiu 75 milhões de reais (21 milhões de euros) para o arranque das obras que começam em Setembro do próximo ano.
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Este projecto que tinha sido apresentado ao mercado há dois anos, tem agora as autorizações necessárias para o arranque da construção dos edifícios que somente ocuparão 7% dos 280 hectares que o empreendimento vai ocupar na região de Aquiraz a 20 minutos de Fortaleza, a capital do Ceará.
O empreendimento vai ocupar 1,8 quilómetros de praia e terá lagos naturais de água doce e 58 hectares de área verde, anunciou, em São Paulo, João Rendeiro, presidente do BPP, um dos sócios do projecto.
Todo o projecto inclui a construção de oito hotéis, seis pousadas, 600 «bengalow», 800 residências turísticas, um campo de golfe, um centro hípico, um centro náutico, além de «Village Mall» de três mil metros quadrados com espaço para eventos, bares, restaurantes e lojas. Os empreendedores estimam que todo o projecto possa custar 775 milhões de reais (216 milhões de euros).
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Por seu lado, o Estado do Ceará vai investir em infra-estruturas fora do projecto para melhorar os acessos e a estrutura do local que tem 65 mil habitantes.
O Estado estima gastar 150 milhões de reais (41 milhões de euros), dos quais somente 40 milhões de reais (11 milhões de euros) associados ao empreendimento dos hoteleiros e financeiros portugueses.
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O terreno onde vai ser erguido o empreendimento estava na posse de Ivens Dias Branco que entra como sócio no projecto com 50% do consórcio Agesto.
O BPP avaliou o terreno em 39 milhões de reais (10,75 milhões de euros). O sócio brasileiro é dono de uma rede de fábricas de bolachas e tem apostado na compra de imóveis no estado. Estima-se que tenha mais de três mil terrenos no Estado do Ceará, avançou Raimundo Viana, ex-secretário do Turismo do Ceará que foi convidado para estar presente no evento.
Depois da primeira fase estar concluída, prevista para finais de 2006, os sócios devem esperar dois a três anos para o arranque da segunda fase. Na primeira fase está prevista a construção de um «resort» com 714 apartamentos, 350 «bengalow», todo a parte de lazer e o campo de golfe com 18 buracos.
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Quanto ao segmento residencial turístico, como Rendeiro lhe quis chamar, nada foi especificado. As vivendas ficarão em média em terrenos de mil metros quadrados com máximo de 200 metros quadrados de construção.
Apesar do consórcio se detido pelos cinco sócios, para as várias componentes dentro do projecto vai ser realizadas parcerias pontuais, especificou Stefano Saviotti, líder dos hotéis Dom Pedro em Portugal e do Autotel, uma cadeia de hotéis de estrada em Itália.
Sócios esperam receitas anuais de 63,4 milhões
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Sócios esperam receitas anuais de 63,4 milhões
Os sócios esperam que o projecto tenha retorno entre seis a oito anos e deve gerar receitas directas de 2,3 mil milhões de reais em dez anos ou 230 milhões de reais (63,4 milhões de euros) por ano. Além deste valor, Rendeiro acredita que o aquecimento da economia local gere outros dois mil milhões de reais (551 milhões de euros).
Quanto à geração de emprego, directamente deve permanecer no local 4.900 colaboradores, dois mil na hotelaria e os restantes ligados ao golfe e às residências turísticas. Para qualificar a mão- de-obra local, o estado do Ceará em parceria com os sócios vai promover cursos ligados ao turismo. No total, o empreendimento deve criar directa e indirectamente 10.500 empregos.
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Também o estado pensa passar a arrecadar 37 milhões de reais (10 milhões de euros) em impostos após o início da exploração do projecto e 70 milhões de reais (19,3 milhões de euros) só com o investimento
Previsão de 10 mil turistas por dia
Previsão de 10 mil turistas por dia
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Em 2007, o projecto deve atender 10 mil turistas por dia, acredita Rendeiro. No total, só o empreendimento deve incrementar em 20% o número de estrangeiros turistas em território brasileiro. Actualmente, o Brasil recebe cinco milhões de turistas do exterior.
Rendeiro destacou a importância deste projecto para a região. O empreendimento terá impacto positivo anual de 2,3% no Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará e de imediato de 6,3% no PIB cearense.
Jorge Chaskemann, responsável pelo projecto, acredita que ele deva impulsionar o Ceará tal como Vilamoura impulsionou o Algarve. O turismo no Algarve transformou-a na segunda região mais rica de Portugal. O golfe também explodiu na região. Hoje existem 40 campos de golfe na região, lembrou Joel Pais, representante da Solverde. Este projecto será responsável pelo primeiro campo de golfe da região, que deverá abrir portas para outros projectos no segmento.
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Os alojamento não serão mais altos que os coqueiros, para manter a arquitectura tropical e acomodar o conceito de «amigo do ambiente». Rendeiro quer que o projecto tenha o maior «rating» nesta matéria, os três AAA (Aquiraz Amigo do Ambiente).
Para atrair turistas, o empreendimento está em negociações com a TAP para incrementar os voos para Fortaleza e a negociar com operadores turísticos para colocar o Aquiraz Golf & Beach Villas nos destinos dos europeus.
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O Ceará tem 30 mil camas, o que compara com os 650 mil do Algarve. A extensão da costa é de mais de 500 quilómetros, mas a lei brasileira só deixa que em 10% das dunas haja construções.
Os mercados alvo são as famílias, principalmente europeias que, segundo estudos, nas férias não gostam de viajar mais de seis horas de avião, o mesmo que demora de Lisboa a Fortaleza.
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*Correspondente em São Paulo
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