Qimonda Portugal pediu hoje declaração de insolvência (act.)
Três dias depois de anunciar que a fábrica de Vila do Conde ia parar 17 dias, a administração da Qimonda Portugal solicitou hoje em tribunal a declaração de insolvência. Uma decisão que visa facilitar a difícil tarefa de viabilização da empresa.
Uma semana infernal para a Qimonda Portugal. Na passada segunda-feira, e na sequência do anúncio da paragem da produção da fábrica-mãe de Dresden, na Alemanha, da qual a unidade portuguesa em 100% dependente, a administração liderada por Armando Tavares anunciou que a fábrica de Vila do Conde iria estar encerrada a partir do próximo sábado e até 13 de Abril.
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Será que a empresa iria retomar a laboração no dia 14 de Abril? Eis a grande dúvida então formulada pelos cerca de 1.300 trabalhadores da Qimonda Portugal. A resposta, ainda que parcial, foi dada esta tarde pela administração da empresa, ao anunciar que avançou para tribunal com um pedido de declaração de insolvência daquela que era até há pouco tempo a maior exportadora portuguesa.
“Desde o anúncio do risco de insolvência da Qimonda AG, em Dezembro de 2008, que a administração da Qimonda Portugal, em conjunto com o Governo português, tudo tem feito para garantir a viabilidade futura da unidade de Vila do Conde e salvaguardar o emprego dos seus colaboradores. Neste momento, não podemos deixar de sublinhar o empenho determinado e a dedicação continuada do Governo Português na procura de soluções que preservem os interesses nacionais”, começou por frisar Armando Tavares, em comunicado enviado à Comunicação Social.
“Porém, as dificuldades no sector dos semicondutores DRAM continuam a agravar-se devido à recessão mundial, condicionando a possibilidade de se encontrar uma solução. Como foi recentemente comunicado pelo administrador da insolvência da Qimonda AG, as diligências no sentido de se encontrar um investidor irão prolongar-se para além do fim de Março”, regista o mesmo gestor.
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Portugal deixa de receber matéria-prima esta semana
Perante esta situação, e dada a paragem total da produção da fábrica de Dresden, a unidade de Portugal deixa de receber matéria-prima a partir desta semana. “Estes factores, aliados à impossibilidade de se encontrar uma alternativa imediata, inviabilizam a normal laboração da Qimonda Portugal e colocam a empresa numa situação financeira insustentável”, reconhece a administração da Qimonda Portugal.
Neste contexto, solicitou hoje junto do tribunal competente a declaração de insolvência, ao abrigo do Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas. “O objectivo é o de vir a permitir a reestruturação da Qimonda Portugal, de forma a poder participar de qualquer solução que venha a ser encontrada para viabilizar a continuação da actividade de produção de memórias DRAM da Qimonda AG, na Europa”, sublinha Armando Tavares.
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Recorde-se que, ainda recentemente, o porta-voz do gestor de falência da Qimonda AG esclareceu que as decisões deste gestor na Alemanha em relação à multinacional se referem “apenas à Qimonda Dresden e à casa-mãe, a Qimonda AG, com sede em Munique. Isto significa que a Qimonda Portugal, apesar de seriamente afectada pelo requerimento de falência e pela paragem da produção em Dresden, que absorve toda a produção da fábrica de Vila do Conde e é também seu único fornecedor de matéria-prima, não está sob a alçada do gestor de falência alemão, “que não tem poderes para tomar decisões administrativas directamente relacionadas com Portugal”.
Voltando ao comunicado de hoje da Qimonda Portugal, a administração diz-se esperançada numa possível salvação da empresa: “Estamos cientes do valor da unidade de Vila do Conde, única na Europa, e da qualidade do trabalho desenvolvido pelos nossos colaboradores, como o demonstram os resultados positivos que sempre foram alcançados e a competitividade a nível mundial que foi demonstrada pela unidade portuguesa. Por todas estas razões, a administração da Qimonda Portugal acredita e tudo fará para que seja possível reorganizar a empresa e o negócio, garantindo a viabilidade futura da unidade de Vila do Conde”, conclui a equipa presidida por Armando Tavares.
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