Álvaro pede modelos de governação seguros para fazer face a riscos da IA
A tecnologia tomou de assalto todos os setores de atividade, sem exceção. E a banca tem sabido reinventar-se para a incorporar, mas também para ganhar com a crescente digitalização da economia. A Inteligência Artificial é o futuro. O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, defende as mais-valias que esta evolução pode gerar, mas garante que o banco central está alerta para os riscos que dela podem advir.
Lembrando o papel que as "fintech" tiveram na diversificação da oferta do sistema financeiro, mas também no aumento da concorrência com o setor mais tradicional, Álvaro Santos Pereira diz que a "banca tradicional teve de se reinventar para responder a um perfil de cliente diferente". A área dos pagamentos é um bom exemplo de inovação do setor”, referiu o governador na intervenção inicial na Banca do Futuro, conferência organizada pelo Negócios.
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Além das "fintech", há outras "big tech" que estão a moldar o sistema. O “ecossistema financeiro está a ser redesenhado por forças que transcendem o setor e que ajudarão a moldar a banca do futuro”, refere. E é, salienta, "impossível mencionar o futuro sem falar da IA" que "já está a mudar a forma como as empresas se organizam", mas também a alterar o funcionamento dos bancos.
"No setor financeiro, [a IA] permite aprofundar modelos de risco, o atendimento e aconselhamento aos clientes, a recomendação de produtos ou serviços e até mecanismos de deteção de fraude." São vários pontos positivos elencados pelo governador do Banco de Portugal, mas a IA também tem o outro lado da moeda. Para responder a isso, “precisamos de modelos de governação seguros, transparentes e eficazes”.
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Entre os vários riscos que o governador vê a assombrarem o sistema financeiro atual estão as fraudes digitais, que são hoje “muito mais sofisticadas, tirando partido da presença digital dos clientes”, mas também a crescente fragmentação do mercado, além das questões da privacidade, mas também daquele que é o valor em que assenta todo o sistema: a confiança.
O supervisor financeiro nota ainda uma “mudança de comportamento dos consumidores”, com a maior digitalização dos clientes bancários. E essa mudança tem aberto a “possibilidade de empresas não financeiras poderem oferecer serviços bancários”, o que leva à conclusão de que o “futuro talvez seja mais fragmentado”. “Grande parte das interações financeiras poderá ocorrer fora do ambiente bancário”, nota, mas o “papel dos bancos centrais não muda”.
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“Num dia em que falamos de novidades estimulantes, de tecnologias disruptivas, é importante relembrar que nenhum edifício, por mais robusto que seja, se constrói sem alicerces robustos. E sem uma regulação competente”, salientou o governador do Banco de Portugal para quem “Portugal tem hoje, sem dúvida, uma banca sólida”. Mas “nem sempre foi assim”.
“Nos últimos 15 anos reforçámos de forma substancial a arquitetura institucional da regulação do sistema bancário. Mas temos de nos manter atentos. A história ensina-nos que é nos momentos de otimismo e de prosperidade que se acumulam riscos impulsionados, por vezes, por uma atitude permissiva”, diz o governador, alertando que a “complacência deve ser combatida diariamente pelos bancos e pelos reguladores”.
Lembrando choques do passado recente, Álvaro Santos Pereira diz que é “fundamental fortalecermos as nossas defesas contra estes riscos e ameaças desconhecidas”. “Os avanços tecnológicos abriram avenidas de progresso na banca, mas também criaram um mercado mais exigente”, atira, salientando que “para conservarem e conquistarem clientes, os bancos terão de sempre de provar a sua utilidade e de ser merecedores da confiança da sociedade”.
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