BCP coloca à venda toda a posição no Piraeus. Pode encaixar 592 milhões

Participação de 5% pode render ao banco português um encaixe próximo dos 600 milhões de euros. O BCP só poderia vender esta posição no próximo ano, mas obteve o acordo do banco grego para antecipar a operação.
Nuno Carregueiro e Maria João Gago e Edgar Caetano 29 de Outubro de 2013 às 17:34

O Banco Comercial Português anunciou esta terça-feira que deu início ao processo de venda de todas as acções e warrants que detém no banco grego Piraeus Bank, numa operação que pode render aos cofres do banco liderado por Nuno Amado um encaixe de 592 milhões de euros, tendo em conta as cotações de fecho da sessão de hoje.

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Num comunicado emitido para a CMVM, o BCP diz que “lançou um processo de accelerated placement, dirigido apenas a investidores institucionais” de até 235.294.118 acções ordinárias e igual número de warrants do Piraeus Bank “com sujeição às condições de procura, preço e mercado”.

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Desta forma, o BCP está a colocar à venda toda a posição de 5% que detém no banco grego. A participação no Piraeus foi sempre reconhecida pelo BCP como um activo a alienar assim que for oportuno. O banco está, aliás, obrigado a vender esse activo no âmbito dos "remédios" europeus após a ajuda estatal.

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Mas a operação surpreende pelo “timing”, dado que tinha sido celebrado um acordo parassocial ("lock-up") que impedia o BCP de vender a posição até ao início do próximo ano (6 de Janeiro). Contudo, segundo apurou o Negócios, o BCP obteve a autorização do Piraeus, bem como das autoridades gregas, para antecipar esta operação, que está já no mercado com o BCP já a receber ordens dos interessados.

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Com a venda desta posição nesta altura, o BCP consegue tirar partido da forte subida dos títulos do Piraeus nas últimas sessões. Só no mês de Outubro o banco grego disparou 31,2%, depois de ter valorizado 12,6% em Setembro e 15% em Agosto.

 

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Quando acordou com o Piraeus a venda do Millennium Bank, este Verão, o BCP comprou 235,3 milhões de acções (5% do capital do Piraeus) e pagou 1,70 euros por cada. Mas no envelope veio também o mesmo número de "warrants" emitidos pelo fundo estatal que ajudou a recapitalizar os bancos gregos. Os "warrants" são produtos financeiros complexos que, em condições pré-determinadas, podem ser trocados por acções.

 

Estes "warrants" são transaccionáveis no mercado e, à medida que melhoraram um pouco as perspectivas para a crise grega, há relatos de fundos internacionais a apostarem neste produto. O norte-americano John Paulson é um dos investidores e "hedge funds" que se acredita estarem a apostar nestes títulos.

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Os "warrants" valiam, na sessão de hoje, 88 cêntimos cada um, segundo a Bloomberg. O que avalia a posição do BCP em 207 milhões de euros. A participação no capital vale 385 milhões, tendo em conta a cotação de 1,64 euros das acções do Piraeus. O que dá um total de 592 milhões, equivalente a uma valorização de 48% face ao investimento de 400 milhões que o BCP fez na operação. O banco registou uma imparidade de 460 milhões para as operações gregas no exercício de 2012, antecipando já um negócio deste tipo.

 

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(Notícia actualizada às 17h50 com mais informação)

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