"Buraco" deixado pelo Banco Espírito Santo supera 11 mil milhões de euros
O capital próprio do que é hoje o Banco Espírito Santo (BES), que ficou conhecido como BES "mau" e está atualmente em liquidação, aumentou de 10,88 mil milhões de euros em 2024 para 11,21 mil milhões no ano passado, avança o Público nesta segunda-feira, citando o relatório e contas relativo a 2025 publicado no site da instituição em liquidação. Isso significa que, utilizando todos os ativos existentes, ainda ficavam 11,21 mil milhões de euros por saldar.
É mais do que o valor que a ANA, gestora dos aeroportos portugueses, estima que venha a custar a construção do novo aeroporto de Lisboa (8,5 mil milhões). Em 2025, o "buraco" deixado pelo que ficou do BES aumentou 330 milhões de euros, com o passivo a crescer mais que o ativo, o que é uma má notícia para os credores da instituição. Em causa esteve um aumento das responsabilidades perante terceiros, porque os juros das dívidas que ficaram por pagar a credores vão continuando a ser contabilizados. Trata-se de aplicações feitas por grandes entidades internacionais, como gestoras de fundos americanas, por exemplo, que não foram reembolsadas.
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Recorde-se que o processo de resolução do BES, anunciado em 2014 pelo Banco de Portugal, teve como objetivo impor os custos com a intervenção aos acionistas e credores antes de afetar os contribuintes. A parte considerada "boa" foi transferida para o Novo Banco, que ficou posse do Fundo de Resolução. O BES "mau", que entrou depois em liquidação com os ativos e passivos considerados tóxicos, manteve os acionistas e é ainda detido pela também falida Espírito Santo Financial Group e pelo gigante francês Credit Agricole.
O aumento do "buraco" do BES é um indicador negativo para os credores dessa entidade, que procuram, na liquidação, serem ressarcidos dos investimentos feitos no banco.
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