"Buraco" deixado pelo Banco Espírito Santo supera 11 mil milhões de euros

Valor é superior ao que a ANA estima que venha a custar a construção do novo aeroporto de Lisboa. Aumento do "buraco" do BES é um indicador negativo para os credores dessa entidade, que procuram, na liquidação, serem ressarcidos dos investimentos feitos no banco.
Capital próprio do BES 'mau', que está atualmente em liquidação, aumentou para 11,21 mil milhões.
João Santos
Negócios 08:46

O capital próprio do que é hoje o Banco Espírito Santo (BES), que ficou conhecido como BES "mau" e está atualmente em liquidação, aumentou de 10,88 mil milhões de euros em 2024 para 11,21 mil milhões no ano passado, avança o  nesta segunda-feira, citando o relatório e contas relativo a 2025 publicado no site da instituição em liquidação. Isso significa que, utilizando todos os ativos existentes, ainda ficavam 11,21 mil milhões de euros por saldar.

É mais do que o valor que a ANA, gestora dos aeroportos portugueses, estima que venha a custar a construção do novo aeroporto de Lisboa (8,5 mil milhões). Em 2025, o "buraco" deixado pelo que ficou do BES aumentou 330 milhões de euros, com o passivo a crescer mais que o ativo, o que é uma má notícia para os credores da instituição. Em causa esteve um aumento das responsabilidades perante terceiros, porque os juros das dívidas que ficaram por pagar a credores vão continuando a ser contabilizados. Trata-se de aplicações feitas por grandes entidades internacionais, como gestoras de fundos americanas, por exemplo, que não foram reembolsadas.

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Recorde-se que o processo de resolução do BES, anunciado em 2014 pelo Banco de Portugal, teve como objetivo impor os custos com a intervenção aos acionistas e credores antes de afetar os contribuintes. A parte considerada "boa" foi transferida para o Novo Banco, que ficou posse do Fundo de Resolução. O BES "mau", que entrou depois em liquidação com os ativos e passivos considerados tóxicos, manteve os acionistas e é ainda detido pela também falida Espírito Santo Financial Group e pelo gigante francês Credit Agricole.

O aumento do "buraco" do BES é um indicador negativo para os credores dessa entidade, que procuram, na liquidação, serem ressarcidos dos investimentos feitos no banco.

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