CEO do Banco Montepio: apoios a fundo perdido devem estar “em cima da mesa”

Embora acredite que a maioria dos casos de danos pelo mau tempo possa ser resolvida com medidas já anunciadas, o CEO do Banco Montepio, Pedro Leitão, considera importante que a opção dos apoios a fundo perdido não seja afastada.
Pedro Leitão Montepio
Sérgio Lemos
Hugo Neutel e Rosário Lira 14 de Fevereiro de 2026 às 21:00

A maioria dos casos de destruição causada pelo mau tempo deverá poder ser resolvida com os apoios já existentes para famílias e empresas - e outros que estão a caminho. Ainda assim, a opção de criar ajudas a fundo perdido não deve ser afastada, considera o CEO do Banco Montepio. 

Em entrevista ao Negócios e Antena 1, Pedro Leitão sublinha que o "PRR português" já  anunciado por Luís Montenegro terá ainda mais medidas e acrescenta que, pelos dados conhecidos, os casos mais graves de destruição serão uma minoria.

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Apoios a fundo perdido não devem ser colocados de parte, diz CEO do Montepio

Questionado sobre se as linhas de crédito anunciadas para a empresa poderão ser a solução mais adequada nos casos de devastação, Pedro Leitão argumenta que essas situações extremas serão uma minoria. "Cada caso será um caso. Para casos extremos de devastação, há instrumentos, subvenções, o BPF tem alguns apoios que podem estar em cima da mesa. Acredito que a tendência não será essa. Um caso de devastação é muito complexo para os empresários, para as famílias, mas esse não parece ser o tronco comum", acredita o banqueiro. 

Para Pedro Leitão, o cenário de apoios diretos não deve, no entanto, ficar fora da discussão.  "Acho importante que esteja em cima da mesa e que essas opções existam. É importante que tenham critérios de elegibilidade concretos, que sejam fáceis de traduzir em realidade, como instrumento complementar. Estou convicto, com os dados que tenho, que essa não será a grande fatia dos apoios que serão necessários para a recuperação", diz.

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Considerando os apoios "normais e desejáveis", o presidente executivo do banco enfatiza que a banca "é um veículo de transmissão à economia" e que a iniciativa do Governo para envolver as instituições financeiras na resposta aos efeitos da intempérie e que a reação está a ser célere.  "Há também uma rapidez de resposta abrangente por parte do Banco Português de Fomento (BPF), que disponibilizou um conjunto de linhas. Paralelamente, um conjunto de instituições, e nós não somos exceção, disponibilizaram na primeira hora apoios a clientes e colaboradores", diz Pedro Leitão na entrevista que será publicada na íntegra na segunda-feira.

CEO do Banco Montepio: apoios a fundo perdido devem estar “em cima da mesa”

Por enquanto, diz o CEO do Banco Montepio, a procura é forte mas mais por informação do que por contratação efetiva de crédito das duas linhas lançadas pelo BPF - uma para responder a necessidades imediatas de tesouraria e outra para a reconstrução. "Nesta fase, o fluxo é pequeno. Há muita procura de informação, quer no caso das linhas com apoio do BPF, quer nas moratórias. Mas ainda há pouca materialização. Há uma ampla rede de apoio que está a começar a ser ativada", avança. O responsável elogia ainda a agilidade do BPF neste processo. "Há do lado do BPF uma transformação evidente e um nível de serviço evidentemente melhor. E há do lado do Banco Montepio uma proatividade que nos permitiu ter uma presença junto do mercado empresarial que é muito superior à nossa quota natural", acrescenta. 

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Já nas moratórias do crédito à habitação, Pedro Leitão sublinha que o "stock" total do sistema no país é de aproximadamente 100 mil milhões de euros e que as zonas afetadas poderão representar 10% a 15% desse valor. "Mas nem todas as casas foram afetadas", realça.  


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