Juros do BCE fazem lucro do BPI cair 2% para 133 milhões
O BPI lucrou 133 milhões de euros no primeiro trimestre, numa queda de 2% face ao período homólogo.
O resultado reflete uma descida de 3% da margem financeira, que reflete a diferença entre os juros cobrados e recebidos. Representou 216 milhões de euros. O encaixe com comissões, por outro lado, rendeu mais 5%, atingindo 79 milhões de euros. O produto bancário caiu 3%.
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Em Portugal o resultado diminuiu 8%.
Nas operações internacionais, o angolano BFA - no qual o BPI diminuiu a participação em 2025 - contribuiu com 42 milhões de euros, menos 9% do que no primeiro trimestre de 2025. O moçambicano BCI teve um contributo positivo de um milhão de euros após o valor negativo de 7 milhões apresentado há um ano.
Por outro lado, o BPI aumentou a carteira de crédito em 2%, elevando-a para 33,8 mil milhões de euros.
O crédito a particulares disparou 10% para 18,9 mil milhões de euros, impulsionado pelos empréstimos para a compra de casa que subiu 11% para 17,5 mil milhões, embora o banco note uma desaceleração: o volume foi de 700 milhões de euros foi inferior ao de mil milhões verificado nos primeiros três meses de 2025.
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Neste segmento, a garantia do Estado de apoio aos jovens até aos 35 anos na compra da primeira habitação com recurso a empréstimo bancário o BPI tem tido um papel central: o banco concedeu 6.600 contratos de crédito no valor de 1,3 mil milhões de euros ao abrigo deste regime. O banco tem uma quota de 13,1% neste mercado.
Com o Banco de Portugal a prometer um aperto das regras nos créditos com garantia pública - que fez aumentar em sete vezes o número de mutuários com perfil de risco -, o CEO do banco garante que não está preocupado. "Iremos continuar, garantindo sempre o cumprimento das regras de supervisão que nos são impostas", assegurou João Pedro Oliveira e Costa, acrescentando que o banco está "tranquilo com qualquer medida que venha a ser imposta e vamos cumpri-la com todo o rigor". "No crédito jovem não temos nenhum nível de preocupação bem nenhuma diferença face a outros segmentos", atirou.
O histórico, argumenta João Pedro Oliveira e Costa, ajuda: "O que observámos no passado foi que o crédito à habitação sempre teve um comportamento de risco bastante reduzido", sublinhou.
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Na implementação da garantia pública, o BPI ombreia com a Caixa Geral de Depósitos (CGD). "Ficámos a saber que estamos na liderança com a CGD", sublinhou o CEO na apresentação de resultados.
O crédito ao consumo destoou, caindo 5% para 1,4 mil milhões.
CEO do BPI
O crédito a empresas também cresceu: o volume atingiu 6% para 12,7 mil milhões de euros.
No lado dos recursos de clientes, os valores seguem em linha com os do período homólogo. Embora a carteira de depósitos tenha descido 1% para 32,2 mil milhões de euros, os recursos fora de balanço cresceram 18% para 11,4 mil milhões.
Os custos aumentaram 4% para 132 milhões de euros, influenciados sobretudo pelos gastos com pessoal que cresceram de 63 milhões para 69 milhões de euros.
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Os rácios de capital continuam acima dos requisitos: o capital total está nos 17,1%, tendo diminuído face aos 17,5% homólogos mas ainda assim muito acima da exigência de 14,5%. O CET 1 (sigla para a expressão inglesa "Common Equity Tier 1") está nos 13,8%, acima dos 10,2% impostos pela supervisão como valor mínimo.
(Notícia em atualização)
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