Travão na margem financeira encolhe lucros do Crédito Agrícola

Banco liderado por Sérgio Frade fechou o primeiro trimestre com um resultado líquido de 73,8 milhões de euros. A margem encolheu, mas as contas ressentiram-se também com o reforço das imparidades e provisões.
Crédito Agrícola
Nuno André Ferreira/Correio da Manhã
Paulo Moutinho 12:19

O Crédito Agrícola fechou os primeiros três meses do ano com um resultado líquido de 73,8 milhões de euros. É uma quebra de mais de 26% face ao período homólogo, explicada pela diminuição da margem financeira num contexto de juros mais baixos, mas o banco liderado por Sérgio Frade também foi penalizado pelo aumento das provisões.

O lucro alcançado representou um “acréscimo de 26,4 milhões de euros face ao quarto trimestre de 2025 (+55,6%)”, mas representa “uma redução homóloga de 26,1 milhões de euros (-26,1%) reflexo sobretudo de uma redução na margem financeira em 15,2 milhões de euros (-8,9% face ao primeiro trimestre de 2025)”, diz o banco em comunicado.

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“Os resultados alcançados refletem uma gestão prudente e consistente, assente no crescimento sustentável da atividade, na qualidade dos ativos e numa rigorosa disciplina financeira”, diz Sérgio Frade, na mensagem que acompanha a apresentação das contas do primeiro trimestre.

Além da quebra da margem financeira, associada a uma baixa dos juros na carteira de crédito, nomeadamente à habitação, a pesar nas contas do Crédito Agrícola esteve também “um reforço líquido de 12,9 milhões de euros em imparidades e provisões face ao primeiro trimestre de 2025”. O rácio bruto de malparado “situou-se em 3,7% em março de 2026, em linha com o final de 2025”, diz o banco.

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Num contexto de juros mais baixos, o Crédito Agrícola, tal como a generalidade do setor financeiro, apostou no volume. “Na carteira de crédito a clientes (bruto) registou-se um crescimento de 365,7 milhões de euros face a dezembro de 2025 (+2,7%), atingindo 14.112 milhões de euros”, diz o banco.

“Este desempenho superou o crescimento do mercado como um todo, refletindo uma quota de mercado do Crédito Agrícola de 6,1%, que se manteve”, acrescenta o banco no mesmo comunicado.

Já no caso dos depósitos de clientes, estes “ascenderam a 23.951 milhões de euros no final de março de 2026, o que compara com 23.820 milhões de euros em dezembro de 2025 (+0,5%), com a quota de mercado do Crédito Agrícola a cifrar-se em 8,2% em março de 2026”.

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À luz destes resultados, “os rácios do Grupo Crédito Agrícola CET1 e Fundos Próprios Totais ascenderam a 23,3%, o rácio de alavancagem ascendeu a 9,8%1, o rácio de cobertura de liquidez (LCR) atingiu 365,6% e o rácio de financiamento estável (NSFR) fixou-se em 175,3%, todos confortavelmente acima dos níveis mínimos recomendados ou requeridos”, nota.

“O Grupo mantém níveis robustos de capital e liquidez, evidenciados por um rácio CET1 de 23,3%, confortavelmente acima dos requisitos regulamentares”, diz Sérgio Frade. “Esta solidez foi igualmente reconhecida pelos mercados internacionais, como demonstra a bem-sucedida emissão, em janeiro de 2026, de 500 milhões de euros de dívida obrigacionista de caráter social, que confirmou uma vez mais a presença do Crédito Agrícola junto de uma base diversificada de investidores internacionais”, nota.

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(Notícia atualizada às 12h30 com mais informação)

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