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Dois arguidos depois, Banco de Portugal contrata auditoria externa às compras

Auditoria deve produzir conclusões até junho. Supervisor cria comissão para analisar compras acima de 150 mil euros na sequência das investigações da Polícia Judiciária que em 2025 levaram à constituição de dois arguidos.

O supervisor liderado por Álvaro Santos Pereira quer mitigar os riscos de corrupção nos seus processos.
O supervisor liderado por Álvaro Santos Pereira quer mitigar os riscos de corrupção nos seus processos. João Relvas / Lusa - EPA
17:00

O Banco de Portugal (BdP) vai contratar uma auditoria externa aos seus processos de compra e criar uma comissão para analisar aquisições de valor superior a 150 mil euros. Estas são duas das decisões tomadas depois da constituição de dois funcionários do supervisor como arguidos na sequência das operações Pactum e Nexus, no âmbito do qual o supervisor financeiro foi alvo de buscas em 2025.

As duas investigações visavam atos de corrupção na contratação pública em várias entidades e levaram a que fossem constituídos arguidos o diretor do departamento de informática do BdP (a quem foi aplicado o termo de identidade e residência e que foi afastado do cargo mas permanece ao serviço do regulador, noutras funções) e de um outro funcionário, do mesmo departamento e que está em prisão domiciliária.

No relatório intercalar do Plano de Prevenção de Riscos de Corrupção e infrações conexas publicado nesta quarta-feira, o supervisor considera quatro tipologias de risco, que classifica quanto à gravidade e probabilidade. E conclui que há três de potencial impacto elevado e grau de verosimilhança intermédio: “Risco de falta de isenção e imparcialidade técnicas por influência de interesses específicos, alheios ao Banco de Portugal; risco de utilização ou divulgação de informação privilegiada e/ou confidencial em benefício ou detrimento de interesses específicos; e o risco de aceitação de benefícios em troca da concessão de vantagens e/ou favorecimentos na condução dos processos decisórios internos).

Foi ainda detetado um risco “de omissão / manipulação / adulteração de informação com o objetivo de condicionar as decisões a tomar no desempenho das suas atribuições” considerado menos verosímil.

O BdP vai criar uma comissão de compras que vai analisar aquisições de valor superior a 150 mil euros.

A conclusão levou o BdP a decidir contratar uma auditoria externa aos seus processos de compra, sabe o Negócios. Esse processo de contratação está em curso e o objetivo é que produza resultados até ao final do primeiro semestre. O foco vai ser abrangente - para todas as aquisições - mas terá especial foco na área da informática, exatamente aquela que esteve em causa nas duas operações.

Na sequência das investigações, a instituição liderada por Álvaro Santos Pereira decidiu também promover alterações aos seus processos internos. Uma delas é a criação de uma comissão de compras, um órgão interdepartamental, com a participação da administração do banco, e que vai analisar aquisições de valor superior a 150 mil euros.

O BdP decidiu também dar formação em contratação pública a um total de 60 trabalhadores com funções em gestão de compras. No caso específico das compras na área da informática e telecomunicações será criada uma equipa interdepartamental e foi imposta a rotação de coordenadores.

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