Banca & Finanças FMI: Supervisores têm de garantir que bancos continuam a "limpar" malparado

FMI: Supervisores têm de garantir que bancos continuam a "limpar" malparado

O Fundo Monetário Internacional reconhece os esforços dos bancos nacionais para reduzir o peso do crédito malparado. Mas alerta que os supervisores têm de garantir que as instituições financeiras continuam este trabalho.
FMI: Supervisores têm de garantir que bancos continuam a "limpar" malparado
Rita Atalaia 12 de julho de 2019 às 14:00
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reconhece os esforços dos bancos nacionais para limpar o crédito malparado dos balanços. Ainda assim, os níveis de Non-Performing Loans (NPL) continuam elevados e é preciso fazer mais. Para as autoridades, cabe aos supervisores garantir que este trabalho continua no setor financeiro.

"Os bancos portugueses têm vindo a reduzir o legado através de um 'mix' de curas, amortizações, vendas e execuções", de acordo com o relatório do artigo IV do FMI, publicado esta sexta-feira, 12 de julho. "No entanto, os rácios de NPL [em Portugal] ainda estão entre os mais elevados da Zona Euro". 

Neste sentido, "os supervisores têm de garantir que os bancos continuam a reduzir os NPL, a reforçar a 'governance', os controlos internos e a gestão de riscos". Isto porque um abrandamento da economia "pode deteriorar a qualidade dos ativos e pressionar os lucros". 

As instituições financeiras têm dado passos no sentido de se "libertar" dos ativos tóxicos, através da venda de carteiras de empréstimos em incumprimento e imóveis. O caso mais recente é o do Novo Banco, que deverá estar prestes a concluir a venda de pouco mais de 400 milhões de euros em imóveis, além de 3.000 milhões em malparado, naquela que será uma das maiores vendas de NPL em Portugal. 

Além disso, alerta o FMI, os bancos portugueses estão também "muito expostos ao setor imobiliário e à dívida soberana". De acordo com as autoridades, em dezembro de 2018, a dívida nacional detida pelos bancos representava 8,8% do total dos ativos, mais 0,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior. "Esta exposição significa que os bancos portugueses estão vulneráveis a aumentos abruptos do prémio de risco". 

É também preciso resolver um outro problema: a baixa rentabilidade. "As taxas de juro baixas, os custos operacionais elevados e as imparidades continuam a pesar na rentabilidade, que está também sujeita a pressão vinda dos serviços financeiros oferecidos por instituições não financeiras", como é o caso das fintech que estão a ganhar força em território nacional. 

Os bancos poderão ainda ser pressionados pela necessidade de cumprir os requisitos mínimos de capital conhecidos por MREL, remata o FMI. 




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