Máximo dos Santos já encontrou no BES matéria susceptível de crime
O presidente do banco "mau" do BES já detectou actos lesivos da instituição. E comunicou-os. Aliás, sobre esses actos, disse que quem saiu mais lesado, "sem querer diminuir o drama das pessoas", foi a histórica instituição financeira.
Luís Máximo dos Santos comunicou aos deputados, na audição da comissão parlamentar de inquérito, já encontrou questões que podem constituir crimes no banco "mau", que ficou com os activos e passivos tóxicos do Banco Espírito Santo.
"Todos os elementos que, evidentemente, constituam indícios de matéria susceptível de constituir ilícito de natureza criminal por lesarem o BES, considero ser meu dever fiduciário [comunicá-los]", disse Luís Máximo dos Santos à deputada Mariana Mortágua.
Questionado sobre se já o tinha feito, o presidente do conselho de administração confirmou: "Já fiz, efectivamente. Mas não vou estar a particularizar".
Para o futuro, vai continuar a fazê-lo: "Sempre que tenhamos indícios deles, comunicaremos". Contudo, Máximo dos Santos lembrou que a administração "não é uma entidade investigatória" e que há peças como a auditoria forense e investigações judiciais que terão os resultados sobre actos lesivos no BES. "Certamente, hão-de chegar a resultados que, depois, nos permitirão exercer reacções no plano judicial: cível ou outro".
O Banco Espírito Santo foi, segundo Máximo dos Santos, a grande vítima do que se passou no último ano. "Sem querer, minimamente, diminuir o drama tremendo das pessoas que tiveram as suas perdas nesta situação, até quase que me atrevo a dizer que o maior lesado disto tudo foi o BES. Uma instituição com enorme passado, com enorme prestígio e que, por via disto tudo, vai desaparecer".