Morreu José Maria Ricciardi, antigo administrador do BES
O antigo administrador do Banco Espírito Santo, José Maria Ricciardi, morreu esta manhã, aos 71 anos. Sofria de doença prolongada.
O antigo administrador do Banco Espírito Santo, José Maria Ricciardi, morreu esta manhã, aos 71 anos. A notícia foi avançada pelo jornal Eco e confirmada pelo Negócios.
Ricciardi sofria de doença prolongada.
O ex-presidente do BESI, José Maria Ricciardi, foi um dos membros da família Espírito Santo que, mesmo antes do colapso do BES, desafiou e criticou a liderança do primo Ricardo Salgado.
Em 2014, ano do colapso do BES, Ricciardi foi à comissão de inquérito parlamentar ao caso Banco Espírito Santo criticar a "má gestão" da administração de Ricardo Salgado, o então homem forte do BES que hoje está a braços com a justiça.
"Havia progressivamente uma falta de credibilidade junto a muitos colaboradores da empresa, porque havia práticas, no mínimo, eticamente, reprováveis", declarou Ricciardi na altura, acrescentando que, "por isso, os prejuízos iam acontecendo e, em vez de serem postos em cima da mesa, eram possivelmente disfarçados".
O fim do BES acontece em 03 de agosto de 2014, quando o Banco de Portugal aplicou uma medida de resolução ao banco, depois de ter sido descoberto um caso de falsificação de contas a nível das holdings do grupo.
"Eu fui a única pessoa que tentei mudar o curso das coisas", realçou José Maria Ricciardi na sua audição na comissão de inquérito, adiantando que houve duas tentativas de o afastar das suas funções no grupo.
"Houve duas tentativas para me pôr na rua. Primeiro, em novembro de 2013 e depois, em junho de 2014", contou então aos deputados.
Em 2015, o então primeiro-ministro, Passos Coelho, revelou à mesma comissão de inquérito que José Maria Ricciardi tinha manifestado informalmente a sua preocupação com a evolução do BES e do GES.
"No âmbito de conversas informais, recordo-me que o Dr. José Maria Ricciardi algumas vezes exprimiu a sua incomodidade quanto aos desenvolvimentos sobre a situação do BES e do GES, os quais eram já do conhecimento público", lia-se nas respostas por escrito enviadas por Pedro Passos Coelho à comissão parlamentar de inquérito.
Dez anos depois, em 2024, Ricciardi foi ao tribunal no âmbito do julgamento do processo BES/GES, e revelou que Ricardo Salgado lhe pediu para "ser solidário com a família" e com a "falsificação das contas" no GES.
Revelou um jantar que teve em casa do primo e antigo presidente do BES, em junho de 2014, no qual manifestou estranheza pela "simpatia exagerada" de Ricardo Salgado e da sua mulher, numa fase em já não tinham boas relações e praticamente não se falavam.