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Mutualista Montepio admite vender parte da seguradora Lusitânia

"Nós não precisamos de 100% para ter atividade seguradora, é natural que possamos fazer alguma parceria de desenvolvimento no momento próprio", afirmou o gestor aos jornalistas, em Lisboa.

Virgílio Lima, presidente da Associação Mutualista Montepio, entrevistado em dezembro de 2025.
Virgílio Lima, presidente da Associação Mutualista Montepio, entrevistado em dezembro de 2025. Mariline Alves
06 de Janeiro de 2026 às 17:33

O presidente da Associação Mutualista Montepio Geral, Virgílio Lima, admitiu esta terça-feira a venda de parte da seguradora Lusitânia, detida na totalidade pela mutualista.

À margem da sua tomada de posse como presidente da Associação Mutualista Montepio Geral, em resposta aos jornalistas, Virgílio Lima disse que, após a recuperação do grupo segurador Lusitânia (que ainda tem imparidades a recuperar), é possível que seja vendido o seu capital a outros investidores.

"Nós não precisamos de 100% para ter atividade seguradora, é natural que possamos fazer alguma parceria de desenvolvimento no momento próprio", afirmou o gestor aos jornalistas, em Lisboa.

Já questionado sobre se nessa venda a mutualista manterá a maioria do capital, Virgílio Lima disse que não será obrigatório, admitindo que pode vender uma posição maioritária e ficar acionista minoritário.

"Não terá de ser [maioritária a posição da mutualista], mas admitimos que sim", disse.

A seguradora Lusitânia teve lucros de 7,6 milhões de euros em 2024 e a Lusitânia Vida teve 7,5 milhões de euros (resultado provisório segundo o relatório e contas da mutualista de 2024).

Virgílio Lima voltou hoje a tomar posse como presidente da Associação Mutualista Montepio Geral, para o mandato que se prolonga até 2029, na sequência das eleições de dezembro passado para os órgãos associativos da mutualista.

A lista A, de continuidade da atual gestão e liderada por Virgílio Lima, foi a única que concorreu a todos os órgãos para o mandato 2026-2029. Para a mesa da assembleia-geral, o Conselho de Administração e o conselho fiscal, a lista conseguiu 88,6% dos votos (35.204 dos 39.740 votos expressos).

Entre outros, além de Virgílio Lima como presidente do conselho de administração, tomou posse Maria de Belém como presidente da mesa da assembleia-geral e Victor Franco como presidente do conselho fiscal.

Na eleição da assembleia de representantes, o único órgão para o qual havia duas listas concorrentes, a lista A conseguiu 60,80% (24.605 votos) e a lista B (ligada à oposição à atual gestão) obteve 35,90% (14.506 votos).

Este órgão, onde se debatem e são votados os documentos fundamentais da mutualista Montepio (como orçamento e plano de atividades), é composto por 30 membros eleitos por método proporcional. Tendo em conta as votações, a lista A elegeu 19 membros, sendo o primeiro nome o padre Vítor Melícias, e a lista B elegeu 11 elementos, com o arquiteto Tiago Mota Saraiva à cabeça.

No discurso após a tomada de posse, Lima considerou que a votação conseguida dá mais força ao programa que apresentou e mais responsabilidade para o executar.

"Esta escolha coletiva legitima o programa que apresentámos e reforça a responsabilidade em todos nós de o concretizar", afirmou o gestor.

Sobre os últimos quatro anos, em que já liderou o grupo Montepio, Virgílio Lima disse que o grupo se reorganizou e ficou mais rentável e capitalizado.

A Associação Mutualista Montepio Geral registou lucros de 210 milhões de euros em 2024, mais 87,5% face a 2023.

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