Distribuição "surpresa" por PTRR "não ter uma única medida" para o setor
A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) manifesta-se "surpresa" pelo facto de o Governo não ter incluído no Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR) "uma única medida para o reforço da resiliência do setor da distribuição e do retalho, responsável por garantir o abastecimento de bens alimentares às populações".
Em comunicado, enviado esta quinta-feira às redações, a maior associação representativa do setor, diz ser "uma decisão difícil de compreender".
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"Em todas as situações de adversidade recentes – da pandemia da Covid-19 ao apagão energético de 2025, bem como às tempestades do início deste ano – e apesar das fragilidades estruturais evidenciadas na resposta do Estado, o setor da distribuição e do retalho demonstrou ser um agente crítico no apoio às populações", diz.
Em paralelo, aponta a APED, "é difícil de aceitar que o Governo, que definiu que um dos objetivos centrais do PTRR é reduzir vulnerabilidades e reforçar a resiliência para responder a crises futuras, exclua o setor deste mesmo âmbito".
A associação, que representa 220 empresas, das quais 60 do retalho alimentar, sinaliza, aliás, que apresentou o seu contributo para a construção do PTRR, por ocasião da consulta pública preparatória, estruturando-o em torno de cinco medidas "orientadas unicamente para o reforço da capacidade de resposta a situações de dificuldade na distribuição de bens essenciais à população".
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"A título de exemplo, a APED considera que o PTRR deveria prever a construção de uma variante à estrada nacional N3, com ligação direta à autoestrada A1, por forma a garantir o abastecimento regular em situações de disrupção ou emergência", refere, falando de uma medida "essencial" como resposta a constrangimentos na área logística da Azambuja, bem visíveis aquando das tempestades".
A APED considera ainda que o PTRR deveria aumentar o limite máximo de abastecimento de combustível nos geradores das lojas, para melhorar a capacidade de resposta a crises futuras e, desta forma, garantir a continuidade de funcionamento dos estabelecimentos por mais tempo.
"Valorizar o setor da distribuição e do retalho é considerá-lo como setor de entidade crítica e, assim, reconhecer o papel que já desempenha em situações excecionais, e de emergência, nomeadamente na manutenção do abastecimento de bens essenciais", enfatiza.
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"Este exercício é, uma vez mais, demonstrativo de que o Governo continua a ignorar o papel estrutural que o setor da distribuição e do retalho desempenha na coesão social e territorial do país, em particular nos momentos de crise", lamenta.
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