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PROBEB quer reavaliação do imposto sobre refrigerantes. Setor fala em perdas de 1,4 mil milhões

Márcio Cruz defende que deve ser equacionada a eliminação do imposto em produtos com baixo ou sem qualquer teor de açúcar.

Associação pede reavaliação do imposto
Associação pede reavaliação do imposto Don Bayley / iStockphoto
13 de Março de 2026 às 09:55

O presidente da Associação Portuguesa das Bebidas Refrescantes Não Alcoólicas (PROBEB) defende, em entrevista à Lusa, que a curto prazo "faz todo o sentido" reavaliar o imposto sobre o setor dos refrigerantes, que classifica de "discriminatório".

"Defendemos que o desenho atual é discriminatório e que, a curto prazo, faz todo sentido reavaliar este imposto, idealmente numa abordagem abrangente e coerente, com a finalidade que este imposto tinha, que era uma finalidade de políticas de saúde pública e que seja visto dessa forma", sublinha Márcio Cruz.

De acordo com o estudo do Porto Business School (PBS), o imposto sobre setor dos refrigerantes causou perdas estruturais superiores a 1,4 mil milhões de euros na economia portuguesa e mostra que se perderam mais de 1.100 empregos e 141 milhões de euros de receita fiscal entre 2017 e 2023.

O presidente da associação critica o imposto, referindo que este deveria ser "abrangente e coerente", mas "que passou a ser única e exclusivamente imposta num tecido empresarial, no setor dos refrigerantes, deixando muitos outros fora".

"Dizia abrangente até num ponto de chegar a outros ingredientes, como o que aconteceu quando foi o compromisso de autorreformulação que envolveu todos os setores, todas as indústrias, que envolveu a Direção-Geral de Saúde, o Instituto Ricardo Jorge, a FIPA, a APED, envolveu vários intervenientes" e "tudo o que são produtos com altos teores de açúcar, sal e gorduras", aponta Márcio Cruz.

O responsável defende que "se devia privilegiar compromissos de autorreformulação, com metas concretas de quais são as taxas de redução que todos os setores podem atingir e que o imposto tem que ser, ou deveria ser, o último recurso", reforça.

Até porque, acrescenta, "este imposto não melhorou a saúde pública, ainda recentemente saíram os dados da taxa de obesidade e o que é facto é que a taxa de obesidade não baixou", refere o presidente da PROBEB.

Portanto, "em jeito de conclusão diria que é extremamente importante [...] reavaliar este imposto", prossegue, salientando que este "tinha uma finalidade de saúde pública ou políticas de saúde pública, não de receita fiscal".

Agora, "o setor já fez esse trabalho, vinha a fazer e fez esse trabalho, dá opções de escolha, tem oferta, tem mais produtos com baixo teor calórico".

Márcio Cruz defende que tem "que se equacionar a eliminação do imposto em produtos com baixo ou sem qualquer teor de açúcar.

Ou seja, "estamos a falar em categorias abaixo dos 2,5 gramas por 100 ml que não deviam ter imposto e, no caso os refrigerantes, estão a ser taxados", lamenta.

"Devia-se levar todos os setores a contribuir para políticas de saúde pública" se se pretende ter efetivamente resultados, agora "se o Governo pretende receita fiscal, aí a questão já é outra", mas "não pode estar a discriminar um setor que muito contribuiu para a redução do teor de açúcar ingerido pelos consumidores", insiste.

Portanto, "chega o momento em que de facto se tem que reavaliar, encontrar outra solução que permita que este setor possa crescer, possa se desenvolver e que não esteja a ser punido com importações paralelas e que muitas vezes está mascarado também com o impacto do turismo, que se não fosse este impacto, este crescimento do turismo nos últimos anos, provavelmente este setor estaria mais moribundo do que aquilo que felizmente consegue apresentar aos dias de hoje", remata.

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