Lucro da Mota-Engil sobe 9% para 133 milhões em 2025. Carteira atinge 16,2 mil milhões

Atrasos em projetos em Portugal e no México ditaram recuo de 11% no volume de negócios no ano passado, mas obras em carteira bateram novo recorde. O grupo vai apresentar novo plano estratégico para 2030 a 11 de março.
O grupo liderado por Carlos Mota dos Santos foi designado como selecionado para execução de um troço ferroviário entre Contumil e Ermesinde, uma obra de 115 milhões.
João Cortesão
Maria João Babo 00:03

A Mota-Engil registou lucros de 133 milhões de euros no ano passado, mais 9% face aos 123 milhões apurados em 2024, sendo este “o seu melhor resultado de sempre”.

No comunicado à CMVM de apresentação das contas anuais, o grupo liderado por Carlos Mota dos Santos adianta que o volume de negócios recuou 11%, de 5.951 milhões para 5.301 milhões de euros. Uma diminuição “expectável”, diz, que se deveu “com maior expressão no atraso de consignações em Portugal, em função das alterações politicas decorridas de processos eleitorais, bem como o período de transição politica que decorre habitualmente no México no primeiro ano de mandato presidencial". A isso acresceu ainda o impacto na comparação com 2024 na região Europa, que teve nesse ano o contributo do mercado polaco (119 milhões de euros de faturação), que foi alienado em setembro desse ano.

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Em 2025, o EBITDA aumentou 4% “para o recorde de 979 milhões”, diz ainda a Mota-Engil, salientando a “margem inédita de 18%”.

A carteira de encomendas atingiu novo recorde de 16,2 mil milhões de euros, com os mercados “core” a representarem 72% do total, destacando-se México (22%), Angola (18%), Portugal (12%) e Nigéria (8%) como os mercados com maior volume de carteira a executar. Esta carteira não inclui ainda o contrato assinado (depois de dezembro) no Brasil, relativo à concessão do túnel de Santos-Guarujá (1.255 milhões), nem a designação da Mota-Engil como entidade selecionada para a execução de um troço ferroviário em Portugal, entre Contumil e Ermesinde (115 milhões).

O rácio de dívida líquida/EBITDA ficou abaixo de 2 vezes, “em linha com o objetivo estratégico estabelecido até 2026”. Para isso “contribuiu a disciplina financeira de manter o Investimento (Capex) ao nível do objetivo definido no início do ano e que estabelecia um rácio de 7% de Capex/volume de negócios, o que foi amplamente concretizado”, diz na nota divulgada.

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Por áreas de negócio o grupo destaca o crescimento de 22% da faturação em África para 2.129 milhões de euros, região onde o EBITDA cresceu 25% para 565 milhões de euros (margem de 27%), “impulsionado pelo expressivo crescimento de 73% no segmento de Engenharia Industrial, o que coloca a Mota-Engil no Top 5 mundial de 'contract mining' e maior operador em todo o continente africano”.

Na América Latina, região onde o grupo é a segunda maior construtora e tem no México o seu maior mercado, o grupo registou um volume de negócios de 2.006 milhões de euros, o que traduz um decréscimo (expectável em 2025) de 33%, mantendo a margem de EBITDA nos 11%, em linha com o histórico de uma região que "retomará o crescimento já em 2026, considerando os novos contratos de ferrovia angariados no México, assim como no Brasil, com projetos de 'oil & gas' e o túnel de Santos-Guarujá".

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No segmento de Ambiente, o grupo alcançou um crescimento de 15% na faturação para 652 milhões de euros, com uma margem EBITDA de 23%.

Na apresentação das contas de 2025, o grupo diz ainda que para 2026 estima o crescimento do volume de negócios a dois dígitos (10%–15%), impulsionado "pela execução da carteira recorde e pela aceleração de projetos de grande dimensão e longo ciclo nos mercados core";

A margem EBITDA deverá manter-se no nível alcançado em 2025, "suportada por uma seleção rigorosa de projetos, uma carteira de maior qualidade e um contributo crescente de segmentos de maior margem".

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Aponta ainda a uma margem líquida sustentada em cerca de 3%, um rácio dívida líquida/EBITDA a manter-se abaixo de 2 vezes e de dívida bruta/EBITDA abaixo de 4 vezes.

O grupo prevê ainda que o investimento (Capex) fique este ano estabilizado em 7% do volume de negócios e aponta a uma “gestão eficiente do portefólio de concessões, promovendo a rotação disciplinada de ativos maduros”.

O grupo vai apresentar o seu novo Plano Estratégico 2026-2030 em Lisboa no próximo dia 11 de março no seu primeiro Capital Markets Day.

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