Mota-Engil quer volume de negócios nos 9 mil milhões de euros em 2030
A Mota-Engil, que apresentou esta quarta-feira o novo plano estratégico 2026-2030, prevê dentro de quatro anos atingir um volume de negócios na casa dos 9 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 70% face aos 5,3 mil milhões que registou em 2025, apontando para uma taxa de crescimento anual composta superior a 10% neste período.
De acordo o plano “Focus 2030”, as metas para 2030 incluem ainda uma margem EBITDA e um rácio de solvabilidade superiores a 18%, uma margem líquida acima dos 4%, um rácio dívida líquida/EBITDA abaixo de 2 vezes, o Capex a representar 7% do volume de negócios e um rácio de “payout” entre 30% e 50%. As alavancas estratégicas, diz, passam por um “crescimento financiado através de parcerias de equity e financiamento estruturado”, “maior conversão de caixa de forma estrutural, através de um controlo mais rigoroso do fundo de maneio” e “alocação disciplinada de capital e reciclagem ativa de capital”.
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O grupo liderado por Carlos Mota dos Santos explica que o Focus 2030 está assente em 3 prioridades estratégicas: crescimento, diversificação e disciplina financeira.
No primeiro, a Mota-Engil quer “consolidar a liderança nos mercados core de engenharia e construção”, com a “participação seletiva em concursos para projetos atrativos, aprofundar parcerias locais nos mercados core e manter elevada a rentabilidade”. Na diversificação, o grupo pretende “capturar a próxima vaga de crescimento nas plataformas sinérgicas, a alocação disciplinada de capital alinhada com o ‘fit’ estratégico e capturar oportunidades de “cross selliing “ e ganhos de eficiência através da integração operacional”. Relativamente à disciplina financeira, explica que o foco está na “geração de caixa e na resiliência da liquidez, reforçar capital próprio através da gestão disciplinada da dívida e de parcerias estratégicas e remuneração atrativa aos acionistas”.
Relativamente aos mercados core na construção, a estratégia da Mota-Engil passa por “sustentar a liderança em Portugal, México e África”, com foco nas infraestruturas de transporte como área core, "elevar a América do Sul, posicionando-a como região de elevado retorno através do posicionamento antecipado em grandes projetos", participar nos principais projetos transfronteiriços de infraestruturas no setor dos transportes, ao mesmo tempo que expande “de forma seletiva para setores estratégicos, incluindo industrial, energia e infraestruturas digitais”, diz.
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Na área das concessões, propõe-se desenvolver plataformas regionais de longo prazo, focadas em infraestruturas de transporte nos mercados core, com rotação estratégica de ativos para gerar fluxos de caixa recorrentes, mas também criar um Centro de Excelência para avaliar a viabilidade dos projetos e gerir portefólios , assegurando a atratividade das concessões e a responsabilidade do equity..
O grupo aponta ainda aos recursos naturais, área onde pretende “escalar plataforma de mineração eficiente em capital, criando um líder transatlântico em serviços industriais e oil & gas (O&G)”.
Na mineração, a estratégia passa por reforçar a posição com "foco na excelência operacional, disciplina de capital e crescimento em minas a céu aberto", assim como "desenvolver parcerias estratégicas de forma ativa para financiar a próxima fase de crescimento", enquanto no segmento industrial pretende “alavancar o Brasil para criar um negócio de serviços de O&G no triângulo Atlântico” e “capitalizar a experiência no México para reforçar a posição em Industrial”.
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No ambiente, o grupo pretende alavancar a liderança na gestão de resíduos para crescer com o novo ciclo de investimento em Portugal, e desbloqueando valor no negócio de serviços urbanos; na energia pretende criar plataformas de ‘waste to energy’ e renováveis em novos segmentos de elevado valor, como biometano, e na recuperação da natureza ser um promotor e operador de referência de ‘nature based systems’ de larga escala.
Em termos de posição financeira, a estratégia passa por "reforçar a seletividade de projetos e a disciplina de margens, priorizando oportunidades menos intensivas em capital e de maior retorno", assim como "o controlo rigoroso do fundo de maneio e disciplina na alocação de Capex". O grupo quer ainda "aumentar a proporção de projetos pré-financiados e contratos de longo prazo, gerir ativamente o portefólio, através da rotação das concessões na maturidade ótima , monetização de ativos não core e atração de parceria de equity, manter dívida de elevada qualidade através de financiamento diversificado de longo prazo, estruturas contratuais bancáveis e parcerias financeiras sólidas".
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