Mota-Engil quer ter mais três incineradoras até 2030 e comercializar gás
A energia é um dos focos do plano estratégico da construtora para os próximos anos. As novas incineradoras deverão ser capazes de gerar energia que a Mota-Engil espera vender. "Somos o maior potencial produtor", acredita o CEO.
Portugal tem de fazer um investimento de 1,9 mil milhões de euros na gestão de resíduos, simplesmente porque "a deposição de resíduos em aterros vai deixar de acontecer", acredita o CEO da Mota-Engil, Carlos Mota dos Santos. Por isso, a subsidiária da construtora, a SUMA, pretende ter três novas incineradoras até 2030 em Portugal.
Na apresentação do plano estratégico da Mota-Engil 2026-2030, o CEO revelou que pretende ver os projetos concluídos nos próximos anos. "Uma no Algarve, outra perto da Figueira da Foz e a outra no norte do País", revelou. O investimento da Mota será sempre em parceria com outras empresas. Assim, acredita o responsável, a empresa pode "proteger a flexibilidade do balanço até 2030".
"Para sermos sustentáveis neste setor temos de executar este investimento massivo no tratamento de resíduos. Precisamos de posicionar a SUMA para poder ter um crescimento incremental da atividade, mas também introduzir sinergias através de parcerias estratégicas", explicou Carlos Mota dos Santos.
É aqui que a entra a capacidade geradora de energia, para que a Mota possa tornar-se também uma comercializadora. "É crucial para cumprirmos o plano termos maior capacidade de incineração com capacidade de gerar energia e conseguirmos que essa eletricidade seja vendida ou que haja um 'match' com outros projetos, nomeadamente centros de dados e projetos de dessanilização", explicou. Aliás, o responsável acredita que a construtora, através da sua subsidiária, já é "um 'player' de energia: estamos a produzir, a distribuir e somos comercializadores", mas pretende "alavancar a atividade nos três continentes e construir uma plataforma de energia mais resiliente".
"Ainda não estamos a produzir, mas somos o maior potencial produtor [de energia]. O nosso objetivo não é só ter biogás que sai do tratamento de resíduos orgânicos, vamos injetar esse biogás nas nossas fábricas para podermos converter para biometano", antecipou.
No novo plano estratégico em que a Mota-Engil se compromete a investir de forma "mais seletiva, com maior suporte contratual e menos capital intensivo", como explicou o CFO, José Carlos Nogueira, a atualização da infraestrutura de gestão de resíduos é uma das cinco aréas elencados para investimento, que se fixa nos 500 milhões de euros, líquido de impostos.
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