Primeiro clube espanhol a ser cotado em bolsa vira aposta para o ouro
O espanhol Intercity Alicante fez história há cinco anos quando se tornou no primeiro clube de futebol espanhol a entrar em bolsa. Mas a sua trajetória, tanto no campo como em bolsa tem ficado aquém dos objetivos iniciais e o clube virou-se agora para uma solução inesperada: a aposta em ouro.
O clube desportivo anunciou a intenção de se dedicar à compra e gestão do metal precioso, avançou o elEconomista. “A nova divisão [de gestão de ouro] terá como objetivo a aquisição progressiva de ouro físico, que será integrado no balanço do clube como um ativo de reserva, a fim de reforçar a estabilidade financeira e preservar o valor [do clube] a longo prazo”, explicou o Intercity Alicante, citado pelo jornal espanhol.
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Com esta estratégia, o presidente do clube, Salvador Martí (ao centro na fotografia), e o principal investidor na dívida da equipa, o fundo Alpha Blue Ocean, querem tornar a carteira de ouro que pretendem adquirir através da tesouraria do clube a referência que os investidores utilizam para avaliar a equipa de futebol.
Na última temporada, a equipa de Alicante afastou-se ainda mais do seu objetivo de chegar à segunda divisão espanhola – o que teria permitido um aumento das receitas provenientes, inclusive, dos direitos televisivos -, tendo sido relegado para a Segunda Federación (a quarta divisão).
Os maus resultados desportivos traduziram-se em perdas financeiras significativas nos últimos anos. A última época terminou com um prejuízo de mais de 11 milhões de euros para o clube, depois de ter perdido outros 7 milhões na temporada anterior. Já no que toca ao seu desempenho em bolsa, desde que foi cotado no índice espanhol BME Growth, em 2021, o clube já desvalorizou mais de 96%.
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Segundo o próprio presidente do Intercity Alicante, a incorporação de ouro como ativo da tesouraria do clube, além de fortalecer a estabilidade financeira da equipa, vai permitir “gerar valor para os acionistas”. Noutras palavras, Salvador Martí pretende que as ações da empresa reflitam mais a valorização do potencial aumento de valor do ouro que agora pretende adquirir do que do seu negócio principal: jogar futebol.
A par disso, a equipa também justifica a manobra com o investimento anunciado para o estádio do clube, que terá um custo estimado entre 33 e 60 milhões de euros. Segundo os representantes do Alicante, “a reserva de ouro ajudará a fortalecer a estrutura financeira” para permitir a execução faseada das obras de construção do novo estádio.
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