BMW: Pelo rio, a toda a velocidade (que o vento permite)
O que leva uma marca automóvel a ter uma escola de vela? O Negócios entrou a bordo e foi descobrir esta academia desportiva que a BMW abraça. Pelo Tejo, embalado pelo vento.
O primeiro conselho ao entrar na embarcação é essencial. "Cuidado com a cabeça". É que a retranca – a parte que suporta as velas – desloca-se ao sabor do vento. A força eólica é o combustível para esta viagem ao longo do Tejo. Aos comandos, o "skipper" Francisco Teixeira.
A bordo discutem-se os temas do mar. Desde as orientações dos ventos, passando pelos cacilheiros e cruzeiros - autênticos prédios flutuantes - que atravessam as mesmas águas. "No mar, o mais pequeno tem prioridade", explica.
A embarcação avança rumo a Belém. A zona ribeirinha de Lisboa ganha outra perspectiva. Antes disso, foi preciso içar as duas velas que permitirão atingir uma velocidade de navegação de 10 a 12 nós (cerca de 20 quilómetros por hora). "Os barcos são muito rápidos e com qualquer brisazinha andam". Lá bem no alto, um logotipo assume a ligação a uma marca automóvel.
Desde 2009 que a BMW se associou a esta actividade desportiva, numa parceria com a empresa Terra Incógnita. A BMW Sailing Academy tem as suas portas abertas na Doca de Santo Amaro, em Alcântara. É de lá que partem todas as viagens. Se a marca é "premium", a escola de vela não quer sê-lo.
"Há pessoas que acham que é um clube privado da BMW. Não queremos isso", conta ao Negócios Bernardo Queiroz, director-geral da escola. Qualquer interessado se pode inscrever na academia, seja ou não cliente, tenha ou não alguma formação na área. Ao todo, são oito aulas de quatro horas a decorrer entre a zona do Parque das Nações e Cascais. Os cursos rondam os 250 euros, com descontos para os clientes da marca.
A ideia é abrir o leque da vela a mais pessoas. A procura tem-se feito sentir, apesar do desporto ainda não estar nas prioridades nacionais. Quando comparado com 2009, o número de inscrições cresceu 35%. A impulsionar estes valores estão as aulas para os mais novos. "Vêm o pai e a mãe andar de barco, enquanto os filhos ficam na academia júnior", diz Queiroz.
A equipa mais antiga já veleja há cinco anos e é constituída exclusivamente por mulheres. Mas o perfil dos velejadores da academia é bastante diferente: homens, entre os 30 e os 40 anos.
Aulas de grupo, cuidado individual
Nem só de famílias vive a BMW Sailing Academy. Também há empresas a procurar a academia para exercícios de "team building", pela analogia que se pode tirar. "Pode lá estar o melhor velejador do mundo, mas se os outros seis não estiverem coordenados, não serve de nada", concretiza João Trincheiras, director de comunicação da BMW Portugal. A HP e a Microsoft são exemplos de companhias que já aderiram.
Em cada barco, sete pessoas a trabalhar como uma orquestra. Todas com funções bem definidas. A frota reúne 14 embarcações, avaliadas em 100 mil euros cada. A apoiá-los uma equipa de 30 monitores em sistemas de rotação. Alguns deles medalhados.
A bordo poderá também seguir a responsabilidade social: crianças com reduzidas condições financeiras (através da Associação Novo Futuro) ou que passam por um estado oncológico (através do IPO) têm oportunidade para viver a experiência de velejar. A BMW Sailing Academy dispõe ainda de barcos de vela adaptada para pessoas com mobilidade reduzida devido ao acordo com a Associação Salvador.
Uma marca além do automóvel
O golfe, o desporto automóvel e a vela são os desportos a que a BMW se associou. "Em Portugal, optámos por nos concentrar na vela porque o golfe não era suficientemente diferenciador", concretiza Trincheiras. Lisboa potencializou essa vontade.
Mesmo em condições climatéricas adversas, as embarcações conseguem sair no Tejo em 95% das vezes. Depois Cascais, "considerado um dos melhores sítios do mundo" para velejar, está ali tão perto.
A prova é que Portugal já conseguiu arrecadar dois primeiros lugares na competição internacional de vela organizada pela BMW. Através da regata nacional é apurado o representante português. Nas equipas a concurso é obrigatório um elemento que seja proprietário de um veículo da marca alemã.
A academia procura "oferecer experiências a clientes e angariar novos" através desta montra em pleno rio Tejo. Durante a viagem fala-se de liberdade, de "performance", de sustentabilidade. O regresso dá-se ao fim de uma hora. É altura de recolher as velas. Pelo menos neste barco.
Vendas automóveis também aceleram
A meta de vender nove mil veículos em Portugal até ao final do ano está prestes a ser atingida. Até Outubro, a BMW já tinha atingido a fasquia dos 8.932, de acordo com os dados da ACAP. A evolução representa um crescimento homólogo de 35% da marca alemã no mercado nacional.