Desporto Liga portuguesa é a menos competitiva da Europa

Liga portuguesa é a menos competitiva da Europa

A I Liga de futebol portuguesa é a menos competitiva da Europa, revela um estudo. O clube que se sagra campeão em Portugal conquista, em média, 84,4% dos pontos em disputa. A Liga dos Campeões é a competição com mais goleadas.
Liga portuguesa é a menos competitiva da Europa
Reuters
Pedro Curvelo 07 de dezembro de 2018 às 08:30

A I Liga de futebol portuguesa é a menos competitiva da Europa, revela o relatório de Dezembro do CIES Football Observatory, divulgado esta quarta-feira, 5 de Dezembro. O estudo analisa 24 competições na Europa, incluindo ligas nacionais, a Liga dos Campeões e a Liga Europa, ao longo de uma década.


Segundo o estudo, entre 2009 e 2018, o clube que se sagrou campeão em Portugal conquistou, em média, 84,4% dos pontos possíveis, o valor mais elevado entre todas as competições analisadas. Seguem-se a Liga espanhola (82,7%) e a escocesa (79,8%).


Já a II Liga francesa, com 64,4% dos pontos conquistados pelo campeão, e o segundo escalão italiano, com 64,6%, são as competições mais equilibradas.


No entanto, a situação em Portugal melhorou ligeiramente nos últimos cinco anos. Se entre 2009 e 2013 o campeão conquistou, em média, 85,1% dos pontos em disputa, nas últimas cinco épocas essa percentagem baixou para 83,7%.


A hegemonia dos clubes financeiramente mais poderosos tem vindo a acentuar-se nas principais ligas europeias, sendo que entre as cinco maiores subidas na percentagem de pontos do campeão entre os dois períodos (2009 a 2013 e 2014 a 2018) contam-se a francesa Ligue 1 (passando de 70% para 80%), a italiana Serie A (de 73,5% para 81,8%) e a alemã Bundesliga (de 75,7% para 82,9%).

 

Portugal apenas 17.º nas goleadas


Num dos outros indicadores sobre a competitividade das diversas competições, a percentagem de jogos que terminam com uma diferença igual ou superior a três golos, Portugal fica bem longe dos lugares cimeiros.


Na I Liga, os jogos em que o vencedor ganhou por três ou mais golos de diferença representam apenas 13,9% do total de partidas. No entanto, este número aumentou nos últimos cinco anos face às cinco épocas anteriores, passando de 11,8% para 15,6%.


A competição onde as goleadas são mais frequentes é a Liga dos Campeões. Na "prova-rainha" da UEFA as vitórias por três ou mais golos representam 21% do total de jogos.  E a tendência acentuou-se nas últimas cinco temporadas, aumentando de 18,9% para 23,2%.


Seguem-se as ligas holandesa, onde 20,9% dos jogos terminam em goleadas, e austríaca, onde a percentagem é de 19,6%.


Também aqui, as divisões secundárias de França e Itália mostram um maior equilíbrio competitivo, apresentando a menor percentagem de goleadas – 10,1% e 10%, respectivamente.


Poderio financeiro dos mais ricos mata competitividade


Os autores do estudo concluem que a concentração de recursos financeiros nos clubes mais ricos tem vindo a reduzir a competitividade nas diversas ligas. O nível de desequilíbrio é "particularmente significativo nas cinco principais ligas europeias (Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França) e na Liga dos Campeões", sublinham.


"As diferenças observadas reflectem as divisões económicas entre as equipas. Em termos absolutos, estes fossos são muito mais acentuados nas ligas mais ricas", frisa o relatório.


Os autores assinalam que "a concentração de recursos anda de mão dada com a concentração de talentos".

"Muitas equipas e ligas estão confinadas a um papel de trampolim para jogadores promissores. Isso permite a obtenção de lucros no mercado de transferências, contudo, num contexto económico cada vez mais desequilibrado, as receitas com as vendas de jogadores são insuficientes para travar o crescente desequilíbrio competitivo", reforça o documento.


"A actual situação favorece os clubes mais ricos. A cada dia, estes aumentam o seu domínio desportivo, económico e até político", concluem os autores.




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