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Accionistas da Jerónimo Martins anulam processo de reestruturação (act)

Os accionistas da Jerónimo Martins deliberaram hoje a anulação das decisões tomadas na última assembleia geral (AG), reunião em que se aprovara o processo de reestruturação da empresa, revelou ao Negocios.pt fonte da segunda maior distribuidora nacional.

Ricardo Domingos rdomingos1@gmail.com 13 de Novembro de 2001 às 15:43
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(Actualiza com declarações de fonte da JM; comunicado da empresa, cotação e «background»)

Os accionistas da Jerónimo Martins deliberaram hoje a anulação das decisões tomadas na última assembleia geral (AG), reunião em que se aprovara o processo de reestruturação da empresa, revelou ao Negocios.pt fonte da segunda maior distribuidora nacional.

Os três pontos da AG de hoje, que incluíam a apreciação dos entraves legais interpostos por credores e accionistas à operação, a anulação do processo de cisão simples da empresa e do respectivo aumento de capital da JM Distribuição bem como da oferta pública de aquisição (OPA) sobre a JM Investimentos, foram «todos aprovados por maioria», segundo fonte da empresa.

«Foi discutida e deliberada, com 87,76% de votos favoráveis, a proposta de revogação da deliberação de cisão simples», refere um comunicado da JM.

O terceiro ponto, que incluía a renovação da designação dos membros sociais da JM Investimentos, ficou sem efeito, uma vez que a anulação da deliberação que aprovava a constituição da própria empresa foi aprovada.

Apesar do processo de reestruturação ter sido anulado, a empresa mantém as metas de reequilíbrio do balanço e melhoria operacional, através da venda de activos, redução de investimento e diminuição da dívida.

«A Jerónimo Martins mantém os objectivos de reequilíbrio do balanço e redução de dívida», assegurou a mesma fonte.

Anulação da reestruturação atrasa objectivos financeiros

As primeiras consequências desta deliberação prendem-se com o atraso dos objectivos delineados para a recuperação financeira da empresa.

A meta de redução de dívida da Jerónimo Martins para os cerca de mil milhões de euros (200,48 milhões de contos), inicialmente previsto para o final do ano, foi adiado para a segunda metade do próximo ano.

No final deste ano, a empresa liderada por Soares dos Santos [JMAR] estima agora ter uma dívida de 1,3 mil milhões de euros (260,63 milhões de contos). A dívida actual ascendia, no final de Setembro, aos 1,42 mil milhões de euros (284,68 milhões de contos)

«A AG foi importante para a JM porque permite agora avançar para outras alternativas» ao plano inicial, segundo a mesma fonte.

A causa das deliberações aprovadas hoje prendem-se com o facto das credoras Gleason e Delavale Carmichael terem deduzido a oposição à operação de reestruturação e pelo facto do Banco Privado Português (BPP), através da Strand Ventures, ter impugnado as decisões da AG que inicialmente aprovou a reestruturação. A Strand Ventures detém 5,16% da JM.

O plano de reestruturação aprovado na AG impugnada incluía, para além da cisão simples da empresa, uma redução e subsequente aumento do capital da JM Distribuição (JMD) com vista ao saneamento do passivo, e o lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a totalidade da JM Investimentos (JMI). A OPA sobre a JMI, a 15 euros (3.007 escudos) por acção, realizar-se-ia após a redução do capital da JMD e antes do aumento de capital da mesma.

Negociações para venda de activos em curso

Com a deliberação, a JM pode avançar sem qualquer tipo de restrições legais para a venda de activos. Ao que o Negocios.pt apurou recentemente, a JM deverá encaixar 150 milhões de euros (30 milhões de contos) com a venda da Águas Vidago, Melgaço e Pedras Salgadas (VMPS) à Unicer, num negócio que deverá ficar concretizado no princípio de 2002.

«O Conselho de Administração reiterou o propósito de (...) tomar as medidas que considere adequadas à prossecução dos objectivos estratégicos anteriormente definidos, nomeadamente no que respeita à redução da dívida , através da alienação de activos não estratégicos e de uma melhoria da eficiência operacional», acrescenta um comunicado da empresa.

A Jerónimo Martins também se encontra em conversações para a alienação da cadeia de supermercados Eurocash e a de hipermercados Jumbo na Polónia, algo que já foi anunciado pela empresa há meses, pelo que os analistas esperam «um desfecho para breve».

Apesar da JM ter afirmado que não pretende vender activos em Portugal, rumores veiculados pela imprensa nacional têm dado como certa uma aproximação da detentora da rede de supermercados Pingo Doce ao Grupo Sonae [SON], que detém a Modelo Continente [MCON], a maior distribuidora nacional e principal concorrente da JM.

A Jerónimo Martins registou prejuízos atribuíveis de 64,3 milhões de euros (12,89 milhões de contos) entre Janeiro e Setembro deste ano, contra o consenso dos analistas que esperavam perdas de 43,13 milhões de euros (8,65 milhões de contos).

As acções da JM subiam 1,25% para os 8,19 euros (1.623 escudos).

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