AEP preocupada com impacto da instabilidade na Venezuela nas empresas. "Não vai ajudar"
A exposição de Portugal ao mercado venezuelano é reduzida, mas nem sempre foi assim. A AEP diz que é cedo para antecipar o reforço das exportações num cenário de mudança de regime, e alerta para possíveis efeitos indiretos.
A Associação Empresarial de Portugal (AEP) não tem dúvidas de que a crise na Venezuela, com os EUA a capturarem o Presidente Nicolás Maduro, vai agravar o clima de incerteza que já afeta as empresas portuguesas. Nos inquéritos de conjuntura do INE relativos a dezembro - ou seja, antes do ataque dos EUA -, as empresas portuguesas já admitiam, no geral, maior incerteza na sua atividade futura.
"Não vai certamente ajudar. Ao contrário, irá agravar. Nós vivemos uma fase em que a instabilidade é demasiado elevada", diz Luís Miguel Ribeiro, em entrevista ao programa do Negócios no canal NOW.
A AEP olha para o atual cenário com preocupação, "porque tudo o que traz incerteza, instabilidade e imprevisibilidade é sempre mau para a atividade das empresas, para a economia".
Ribeiro lembra que a exposição de Portugal ao mercado venezuelano é reduzida - 10 milhões em exportações e 165 empresas a exportar em 2024, de acordo com o INE - mas é importante não descurar possíveis impactos indiretos. "Não sabemos se de facto isto fica por aqui ou se irão existir outras ações dos Estados Unidos (...) Em termos daquilo que é a exposição direta de Portugal à Venezuela e as relações económicas não são de grande relevo. No entanto, muitas vezes estas ações têm mais consequências indiretas do que propriamente aquelas que são da relação direta entre estes dois mercados", aponta.
Apesar de hoje o negócio com a Venezuela ser reduzido, nem sempre foi assim. Em 2013, antes de Maduro ser eleito, as exportações portuguesas chegaram aos 190 milhões, responsabilidade de 238 empresas. Questionado sobre se, com uma eventual mudança de regime, as relações comerciais podem voltar à pujança do passado, o presidente da AEP afirma ser "muito cedo para percebermos quais são as consequências".
"O que é que vai acontecer na prática não sabemos (...) Devemos aguardar com alguma expectativa. As consequências indiretas de toda esta situação podem ser mais graves e aí nós devemos estar atentos e perceber mais uma vez como é que devemos agir para que a nossa presença em muitos mercados internacionais possa ser justificada e minimizar as consequências destes atos", remata.
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