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África aguenta negócio da Siemens em Portugal

As filiais de Angola e Moçambique, "roubadas" à África do Sul, estão a evitar a perda de competências e empregos. Após travar "muito e muitos anos", Melo Ribeiro acredita na retoma de alguns projectos de infraestruturas.

António Larguesa alarguesa@negocios.pt 16 de Janeiro de 2015 às 20:39
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A Siemens Portugal manteve em 2014 um volume de negócios a rondar os 300 milhões de euros devido ao contributo dos projectos de infraestruturas ganhos pelas filiais da multinacional em Angola e Moçambique, cujo desenvolvimento e crescimento deixou de estar entregue à África do Sul e passou para as mãos da estrutura portuguesa. "Temos ali um campo para compensar este ‘downturn’ do País. (...) Podemos usar lá a engenharia que desenvolvemos aqui. Não perdemos as competências", frisou o CEO, Carlos de Melo Ribeiro.

 

Longe dos valores de facturação anual que registava até ao início da intervenção da troika, à volta de 500 milhões de euros, o gestor perspectivou para 2015 um crescimento do negócio em Portugal, para 350 milhões de euros. E calculou que, somando os 60 milhões facturados pela filial angolana e o valor idêntico registado pela estrutura moçambicana no ano passado – em termos de encomendas entradas o valor sobe para cem milhões de euros neste último mercado –, em conjunto, o negócio aproxima-se já dos valores que tinha antes da crise.

 

"O país, com o ‘exagero’ das obras que fez – para a dimensão de Portugal – ganhou uma experiência enorme que é precisa no mundo. Em vez de chorar, refilar e discutir na Assembleia [da República], devia estar preocupado em usar essa experiência que o mundo precisa de uma maneira impressionante. Estamos a falar da América Latina, no Médio Oriente, em África... todo o mundo que está a fazer obras não tem essa engenharia e essa competência, seja engenharia civil, seja o que for. Devíamos estar preocupados em usar e vender essa capacidade que, de uma forma ou de outra, nós conquistámos", apontou Carlos de Melo Ribeiro.

 

O País parou muito, mas a nossa perspectiva é optimista. Porque como parou muito e muitos anos vai ter de fazer alguma coisa. Há projectos que têm de avançar.
 

Carlos de Melo Ribeiro, CEO da Siemens Portugal


 

Num encontro com jornalistas no Porto, onde a multinacional alemã iniciou a sua actividade em Portugal e a cidade que escolheu para assinalar esta sexta-feira, 16 de Janeiro, o início das comemorações dos 110 anos em território nacional, o CEO sublinhou que "o País só desemperra da situação em que está se quebrar as barreiras da burocracia e do pessimismo", acrescentando que "um dos grandes defeitos que tem este País é o estar sempre a falar só do que não consegue fazer e daquilo que não faz".

 

E grande parte da sua "perspectiva optimista" assenta precisamente na dimensão da travagem económica do País. "Porque como parou muito e muitos anos vai ter de fazer alguma coisa", sustentou. Entre os projectos que "têm de avançar", enumerou, estão alguns na área da "sinalização ferroviária, as ligações ferroviárias e um ou outro projecto de modernização na ferrovia". Outra das suas grandes esperanças é o turismo, onde considera que o país pode crescer mais rapidamente e, nesse caso, vai precisar de infra-estruturas.

 

"Atentos" a novos centros de competências

 

Desde 2008 que a Siemens está a fazer um esforço de contenção de custos de ‘backoffice’, em que a solução tem sido centralizar vários serviços. E foi nesse movimento de centralização que a filial portuguesa "ganhou muitos dos centros de competência", estimando o CEO que nos últimos quatro ou cinco anos a estrutura portuguesa ganhou mais quase 500 pessoas para os serviços de finanças, pessoal e compras.

 

O último centro de competências, instalado em Carnaxide, foi ganho no ano passado. Segundo o plano inicial, para este centro de "Corporate IT" foram contratadas 150 pessoas em 2014 e outras tantas serão recrutadas este ano. "Mas está com uma possibilidade de crescer duas ou três vezes isso", adiantou o responsável.

 

Nos actuais 14 centros de competências localizados em Portugal trabalham actualmente quase mil pessoas, sendo uma "pequena percentagem" estrangeiros de 23 nacionalidades, que a Siemens Portugal "não tem dificuldade nenhuma em atrair". Questionado sobre se está algum outro centro em negociação com a casa-mãe alemã, Carlos de Melo Ribeiro respondeu apenas que "está atento" a essa possibilidade, enumerando que engenharia, software e serviços são as áreas em que Portugal tem "mais hipóteses". "Quando é só de capital humano [como neste caso], o valor acrescentado é 100%, enquanto uma fábrica tem um máximo de valor acrescentado de 50%. Uma ‘fábrica’ de software vale duas fábricas das outras", concluiu.

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