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Cláudia Azevedo e a igualdade de género: “Os regimes de quotas funcionam, mas não garantem inclusão”

“Quando os líderes estão comprometidos com a paridade, as organizações avançam; quando hesitam, o progresso estagna”, afirma a CEO do grupo Sonae num artigo de opinião para o Fórum Económico Mundial, que decorre na próxima semana em Davos.

Cláudia Azevedo, CEO da Sonae
Cláudia Azevedo, CEO da Sonae José Reis/Movephoto
09:00

A percentagem de mulheres em cargos de liderança na Sonae aumentou de 34% em 2019 para 41% em 2024, devendo atingir 45% este ano.

“Este é o caminho que escolhemos na Sonae. O nosso compromisso com a paridade mobiliza toda a organização, apoiado em metas claras a todos os níveis de gestão, integradas nas avaliações de desempenho e na forma como gerimos, operamos e financiamos o nosso negócio”, afirma Cláudia Azevedo.

Num artigo de opinião para a Reunião Anual do Fórum Económico Mundial, que decorre na próxima semana em Davos, na Suíça, a CEO da Sonae sinaliza que o progresso da igualdade de género “continua dolorosamente lento”, citando o WEF’s Global Gender Gap Report 2025, que concluiu que apenas 68,8% da disparidade foi eliminada a nível mundial.

“Ao ritmo atual, a paridade plena demorará mais de um século a ser alcançada. Dito de forma clara: se nada mudar, ninguém vivo hoje verá a igualdade de género concretizada ao longo da sua vida”, alerta Cláudia Azevedo.

Constatando que “um dos aceleradores mais poderosos do progresso tem sido a introdução de políticas de quotas”, que “ajudaram a criar urgência, a nivelar o campo de jogo e a gerar progressos tangíveis numa única geração”, porém, “embora transformadoras, são apenas parte da equação”, observa.

“Garantem representação, mas não garantem inclusão. Não asseguram acesso equitativo à influência, nem promoções justas para os cargos operacionais de topo”, considera.

Para a CEO da Sonae, “é aqui que a liderança organizacional tem de intervir”, porquanto “a liderança molda incentivos, comportamentos e cultura e, em última análise, determina resultados”.

“A responsabilização da liderança impulsiona a paridade de género”

No artigo intitulado “Da intenção ao impacto: Como a responsabilização da liderança impulsiona a paridade de género”, Cláudia Azevedo defende que “quando os líderes estão comprometidos com a paridade, as organizações avançam; quando hesitam, o progresso estagna”.

Mais importante ainda, sublinha, “são os líderes que controlam os mecanismos de responsabilização - os sistemas e expectativas que orientam comportamentos e produzem resultados”, nota.

Num momento em que, em alguns mercados, as organizações estão a recuar nos esforços de Diversidade, Equidade e Inclusão (DE&I) em resposta a pressões políticas, reações sociais ou incerteza económica, a CEO da Sonae avisa que “afastar-se agora da equidade e da inclusão não é apenas um erro moral; é um erro estratégico”.

Nesse sentido, lembra uma investigação recente da London School of Economics and Political Science, em parceria com o Meltzer Centre for Diversity, Inclusion and Belonging da Universidade de Nova Iorque, em que cerca de 70% dos consumidores inquiridos afirmam ter maior probabilidade de comprar a empresas que apoiam ativamente iniciativas de DE&I.

“Entre a Geração Z (78%) e as mulheres (74%), os valores são ainda mais elevados. De forma particularmente relevante, 36% dizem planear boicotar empresas que recuem nestes compromissos”, reporta Cláudia Azevedo.

Mas a pressão não é apenas externa. “Os colaboradores, especialmente os mais jovens, tomam cada vez mais decisões baseadas em valores sobre onde querem trabalhar”, regista a gestora, reportando que, segundo os mesmos dados, 76% dos trabalhadores têm maior probabilidade de permanecer numa empresa que apoie a DE&I.

Entre a Geração Z, esse valor sobe para 86%, e 61% nem sequer se candidatariam a uma organização que não apoiasse DE&I.

“Num contexto de escassez de talento e rápida transformação de competências, ignorar estes sinais é um risco estratégico. Mas reconhecer estas expectativas é apenas o primeiro passo. O verdadeiro teste está na forma como as organizações respondem, e essa resposta depende, diretamente, da liderança”, indica.

Em síntese, “quando os líderes demonstram compromisso através da ação, enviam uma mensagem poderosa: a paridade de género é fundamental para a identidade, a cultura e a competitividade futura da organização”.

E, “ao alinhar igualdade com responsabilização, as empresas podem desbloquear resiliência e vantagem competitiva. Só assim será possível passar da ambição à ação e da ação ao impacto”, remata Cláudia Azevedo.

O artigo de opinião da CEO da Sonae para a Reunião Anual do Fórum Económico Mundial foi publicado no site da organização, na manhã desta quinta-feira, 15 de janeiro.

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