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Defesa: BAE e EADS anunciaram negociações para a fusão

A concretizar-se, a fusão destas entidades resultará num conglomerado com uma facturação superior a 70.000 milhões de euros e mais de 220.000 empregados.

12 de Setembro de 2012 às 22:41

Os grupos britânico BAE Systems, da área da defesa, e europeu EADS, do sector aeroespacial, anunciaram hoje que estão a negociar a sua fusão, noticia a AP. A concretizar-se, a fusão destas entidades resultaria num conglomerado com uma facturação superior a 70.000 milhões de euros e mais de 220.000 empregados.

O negócio criaria uma empresa 'gigante' nos domínios da defesa e aeroespacial, quando a conjuntura nestas áreas é dominada por desafios e incertezas, perante os cortes orçamentais na Europa e nos Estados Unidos.

A EADS já é uma das maiores empresas europeias, envolvida na produção de aviões (Airbus), helicópteros (Eurocopter), satélites (Astrium) e eletrónica de defesa (Cassidian). A Airbus e a EADS têm disputado o mercado da aviação civil e militar à norte-americana Boeing.

As empresas confirmaram as negociações, através de uma declaração enviada hoje às autoridades da bolsa de Londres, adiantando que, sobre a proposta fusão, os accionistas da BAE Systems ficariam com 40% da nova entidade e os da EADS com 60%.

Se concluído, o negócio vai fundir as administrações e as equipas de gestão das duas entidades, mas estas continuariam a ser cotadas separadamente.

A BAE e a EADS destacaram "uma longa história de colaboração" em projectos como o avião de combate "Eurofighter Typhoon", que é montado parcialmente no Reino Unido e depois acabado pela EADS na Europa Continental.

A EADS vai ter de pagar 200 milhões de libras (250 milhões de euros) aos seus accionistas antes de concretizar qualquer associação, de forma a alinhar as diferentes políticas de dividendos.

A BAE, baseada no Reino Unido, e a European Aeronautic Defense & Space Company, sedeada nos Países Baixos, realçaram a natureza sensível da sua actividade e adiantaram que começaram negociações com "uma série de governos" sobre as implicações da fusão.

O analista de defesa Guy Anderson, da revista especializada IHS Jane's, disse que se o negócio se concretizar vai mudar o mercado europeu de defesa, para além do que se pode imaginar, o que vai colocar grandes desafios aos reguladores.

"Isto é potencialmente maior do que a fusão feita em 1999 que conduziu à criação da EADS", disse, acrescentando que "esta iniciativa de concentrar para salvar as indústrias europeias de defesa é falada desde há anos, mas parece estar a acontecer a uma escala maior do que alguma vez esperado".

Com a BAE e a EADS já a cooperarem no Eurofighter e possuindo dois terços do grupo MBDA, fabricante de mísseis, a sua fusão poderia mudar estruturas accionistas na Europa, o que leva Anderson a admitir que os reguladores vão precisar de ser convencidos de que não vai prejudicar a concorrência.

"É possível que leve algum tempo até que sejam conhecidos todos os detalhes e apurado o grau de sobreposição", acrescentou.

As empresas já disseram saber que tencionam emitir acções especiais, na BAE e na EADS, aos governos francês, alemão e britânico, que substituam as posições que detêm nas duas empresas.

As negociações têm de estar concluídas até 10 de Outubro, sendo então revelado se tiveram êxito ou se as empresas permanecem separadas.

A BAE, que produz o submarino de propulsão nuclear Astute e é o maior fornecedor de veículos terrestres às forças armadas dos Estados Unidos, divulgou uma ligeira baixa nos lucros verificada no primeiro semestre e alertou para as perspectivas do mercado norte-americano, perante a incerteza quanto ao orçamento para a defesa.

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