Diamond aponta o dedo aos operadores e descarta pressões do Banco de Inglaterra
O ex-presidente executivo do Barclays rejeita que o Banco de Inglaterra ou mesmo responsáveis governamentais quisessem que o banco manipulasse as taxas Libor. E diz que a responsabilidade dessa manipulação foi dos operadores, uma vez que não houve indicações superiores para que fossem manipulados os valores.
Robert Diamond, que ontem apresentou a sua demissão como presidente executivo do Barclays, foi hoje ouvido pelos deputados britânicos numa comissão que está a investigar o escândalo que está a assolar o sistema financeiro do Reino Unido.
Em causa está a manipulação da taxa Libor, que é o equivalente à Euribor para o mercado britânico, e que funciona como uma taxa de juro cobrada pelos bancos entre si para se financiarem, bem como para financiarem a economia ou pagarem juros dos depósitos. O problema é que alguns bancos manipularam o preço da Libor a seu favor, apresentando assim custos de financiamento bastante mais baixos do que a realidade, o que escondeu alguma pressão que o sistema financeiro inglês estava a viver, em 2008. Ano em que a pressão sobre a banca se intensificou, nomeadamente depois da falência do Lehman Brothers.
Diamond revelou que estiveram envolvidos nas operações de manipulação da taxa 14 operadores, que serão alvo de investigações criminais. O ex-presidente executivo diz que os “operadores actuaram por si próprios, não pelo Barclays”. Diamond diz mesmo que os supervisores do departamento deveriam ter levado as suspeitas de manipulação das taxas Libor aos seus chefes, o que não fizeram.
Na semana passada foram divulgados, pelos reguladores, e-mails trocados entre os operadores que descreviam as suas acções. “Quando li os e-mails daqueles operadores fiquei fisicamente doente”, afirmou o responsável perante os deputados. “O comportamento era repreensível. Estava errado. Peço desculpa. Estou desapontado. E também estou chateado. Isto está errado e não estou contente com isto”.
Daimond diz ter tido conhecimento das operações de manipulação da Libor quatro ou cinco dias antes do banco ter chegado a acordo com as autoridades.
Tucker quis alertar para a imagem que estava a circular do Barclays
E é assim que Diamond interpreta a conversa com Tucker: “Bob, há responsáveis em Whitehall que têm ouvido que o Barclays está sempre no [nível] mais alto [das taxas]. Isso pode dar a impressão de que vocês não se estão a financiar.”
O ex-CEO do Barclays diz que Tucker nunca identificou quem é que demonstrou essas preocupações, apenas que eram membros de topo do Governo. “A minha memória é que Paul não mencionou a quem é que se estava a referir”, apenas terá dito que eram “pessoas de topo no Governo”.
Diamond já tinha dito que não tinha dados instruções para que se manipulassem as taxas Libor, e depois disso especulou-se que teria sido Jerry Del Missier, o director operacional do Barclays, que também apresentou esta semana a sua demissão.
“Não tive conhecimento que o Jerry tinha ficado com a impressão de que a conversa que eu tive com Pau era uma instrução, e não tive conhecimento de que tenha dado instruções” para que os operadores começassem a manipular as taxas Libor.
Quanto à sua saída da instituição financeira, Diamond disse ter sido “claro, na segunda-feira, que precisava de dar este passo”, acrescentando que estava “preocupado” com a reputação do Barclays. Tornou-se “claro para mim”, no dia 2 de Julho, que tinha perdido o apoio dos reguladores para permanecer enquanto CEO do banco, acrescentou.