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O primeiro dia de audições no negócio Pfizer-AstraZeneca

A possível fusão entre as farmacêuticas Pfizer e AstraZeneca está a dominar a actualidade política no Reino Unido. Arrancaram esta terça-feira audições para discutir os contornos e intenções da proposta que representa a maior aquisição de sempre de uma empresa britânica.

Bloomberg
Wilson Ledo wilsonledo@negocios.pt 13 de Maio de 2014 às 13:29
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A sessão começou às 9h30 em Londres e estende-se por várias horas. Em causa está aquela que poderá ser a maior aquisição estrangeira de uma empresa britânica: a compra da farmacêutica britânica AstraZeneca pela Pfizer.

 

Depois da proposta, já recusada, 63,1 mil milhões de libras (cerca de 77 mil milhões de euros), os responsáveis da Pfizer são agora ouvidos para que se esclareçam os contornos e intenções do eventual negócio. Há uma nova proposta a caminho mas mantêm-se receios: que postos de trabalho serão destruídos com a fusão, o interesse da Pfizer estará nos benefícios fiscais que poderá obter em território britânico?

 

As audições estendem-se até quarta-feira, 14 de Maio. O primeiro dia na comissão dedicada aos negócios, o segundo na comissão de ciência e tecnologia. Na manhã desta terça-feira, partidos, cientistas e o CEO da Pfizer tiveram direito à palavra. 

 

O que dizem políticos e cientistas?

 

A aquisição deve ser bloqueada. Segundo a BBC, o Partido Trabalhista defendeu na audição desta terça-feira que a promessa da Pfizer de manter postos de trabalho e investimento em ciência no Reino Unido não pode ser garantida.

 

O compromisso de cinco anos apresentado pela Pfizer é insuficiente, consideram também os cientistas da Royal Society. Políticos e cientistas advertiram ainda que uma aquisição poderia prejudicar os interesses do próprio Reino Unido.

 

Baseiam-se num historial da empresa, onde a práctica de contenção de custos através da redução de postos de trabalho é presença frequente. “O que temos visto em aquisições anteriores da Pfizer é uma redução do investimento, cortes de empregos e, francamente, descapitalização de bens. Essa é a nossa grande preocupação. Não há nada que nos garanta que o mesmo não aconteça aqui”, afirmou Willie Bain do Partido Trabalhista, citado pela Reuters.

 

O que diz a Pfizer?

 

O CEO da Pfizer, Ian Read, garantiu que a empresa americana procurou aconselhamento legal antes de apresentar a sua proposta. “Não vemos qualquer problema de confiança substancial sobre este negócio, em qualquer parte do mundo”, assegurou, citado pela Reuters.

 

Na sua tentativa de convencer os legisladores britânicos de que a sua proposta é benéfica para a economia do país, Read alegou que um dos impulsos para a mesma se prende com um reforço da posição das empresas num mercado cada vez mais competitivo.

 

O CEO da Pfizer rejeitou as críticas ao historial de despedimentos e corte de custos da empresa e defendeu que a farmacêutica americana está “focada em fazer ciência produtiva”, indica a BBC.

 

Frizando o compromisso de manter todos os postos de trabalho no período de cinco anos após a fusão, Ian Read reclamou que uma redução nos postos de trabalho só seria justificada por uma exigência de “eficiência”. De acordo com a Reuters, não adiantou números nem locais para eventuais despedimentos no futuro.

 

O representante da Pfizer confirmou que a quantidade de investigação será menor após a fusão do que seria se as duas empresas continuassem separadas. Ainda assim, Read fala no reforço de investimento que a Pfizer fará no novo centro de investigação em Cambridge, caso o negócio avance.

 

O CEO diz-se desapontado com a recusa da AstraZeneca em discutir a proposta de fusão, confirmando que não existe uma decisão final quanto ao negócio.

 

O que diz a AstraZeneca?

 

A AstraZeneca já reagiu às declarações de Ian Read nas audições desta terça-feira. Citada pela Bloomberg, a farmacêutica britânica assegura que não existem novidades face a etapas anteriores das negociações.

 

A AstraZeneca reforça que pode continuar a funcionar como uma companhia independente e afirma que a Pfizer está a realizar uma “tentativa oportunista” de adquirir a empresa por um montante que não reflecte o seu verdadeiro valor.

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